domingo, 8 de fevereiro de 2009

Segura a coisa que eu chego já



Não sei como ficará o ritmo das postagens aqui no blog já que as aulas na pós começaram na última sexta-feira. Estar de volta à sala de aula na condição de aluna tem um gostinho de renovação muito bom e as expectativas com relação ao curso (literatura brasileira) e aos professores são grandes, espero que ambos os lados estejam satisfeitos no final.

Não será de admirar que eventualmente o Leite de Cobra reflita este momento, mas como eu sei que a maioria que freqüenta o blog curte literatura, acredito que vai ser bacana também. Prometo não abusar da boa vontade de ninguém detonando crises de narcolepsia, viram? :P

E como a vida aqui insiste em começar plenamente depois do Carnaval, vamos de marchinhas, frevos, maracatus, afoxés e demais demonstrativos da cultura momesca pernambucana. Nem preciso dizer que já estou de saco cheio mesmo antes de começar, né? Isso todo ano, durante quase quarenta anos, convenhamos, enche mesmo. Uma coisa é turistar, vir pra cá umas duas vezes e amar, achar tudo folclórico, armorial e demais paradinhas mudernas. Outra coisa é conviver com a cidade e a região metropolitana em pleno caos muito antes do fato em si... Mas não deixa de ser um bom feriado e em pelo menos um ou dois dias ainda conto sentir o aroma sensual e refrescante das ladeiras de Olinda, lá pelas 15h, numa temperatura amena de uns 30°. À sombra. E obviamente encontrar os amigos e tomar uma geladinha entre um bloco e outro. ;)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Publicidade com responsabilidade



Para encerrar o assunto que foi iniciado com o vídeo Criança, a alma do negócio e a discussão sobre a publicidade direcionada ao público infantil, gostaria de enfatizar que não houve nenhuma tentativa de demonizar a área, mas, sim, de alertar para o poder, muitas vezes abusivo, que ela tem. E que é nosso dever de pais e responsáveis orientar nossas crianças para que elas cresçam com senso crítico e possam fazer suas escolhas baseadas em necessidades reais e não impostas. Esse é um exercício diário de lucidez e paciência que requer de nós atenção extra, além de disponibilidade, claro.

O que não quer dizer que toda publicidade seja ruim, abusiva. Lembro de uma campanha da Dove, bem recente até, em que ela apresentava várias mulheres de diferentes idades e formas físícas: tinha negras, morenas, loiras e ruivas (não recordo se havia orientais). E eram mulheres absolutamente normais: gordinhas, magrelas, gostosonas e magras do tipo modelo. E todas aparentando estar de bem com a vida e com seus corpos.

Lógico que qualquer um pode pensar que essa também foi uma forma de atingir mais segmentos e vender mais. Claro, mas não só isso. Sabonete, que eu saiba, é um produto que todo mundo usa. Está certo que a marca é uma das mais caras do mercado e que tem um público específico de consumidores, mas eu acredito que uma mulher que tenha baixa auto-estima por causa de seu aspecto físico e que pertença a esse público alvo não deixaria de usá-lo porque não gosta do que vê no espelho, concordam? O legal foi que a propaganda mostrou mulheres normais, comuns e não apenas modelos magérrimas ou celebridades. O diferencial, para mim, foi esse. Ou seja, além de vender o peixe, claro, reforçou a idéia de que você pode (e deve!) se sentir bem e bonita dentro dos seus padrões.

Com relação à propaganda abusiva, seja ela direcionada ao público infantil ou adulto, gostaria de deixar aqui uma dica que me foi dada por uma amiga publicitária e advogada sobre como denunciar propagandas que julgamos inadequadas.

Um belo dia, eu estava vendo TV - acho que Mariana tinha uns dois anos - e dei de cara com o comercial do chiclete Buballoo salada de frutas. No filme, umas três crianças entravam numa lanchonete e pediam salada de frutas. Nisso, aparecia um gato, personagem que representava a marca, e dizia, com ar esperto e descolado, que o bom mesmo era o chiclete de salada de frutas! Um desserviço completo! Nem preciso tecer mais comentários, não acham?

Comentei o ocorrido e a minha indignação numa lista de discussão da qual eu fazia parte (e ainda faço) e Paê colocou a pá de cal no assunto: disse que Sam, seu filho, que antes adorava salada de frutas, agora só queria saber do bendito chiclete.

Foi aí que nossa amiga acima citada, Renata Holder, deu a dica da denúncia. Fomos lá e registramos nossa queixa. E não é que, pouco tempo depois, a parte do comercial em que o gato falava na troca da salada pelo chiclete foi cortada??

Por isso repasso para vocês o caminho das pedras para denunciar comportamentos abusivos na publicidade.

A denúncia deve ser feita ao CONAR - Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária, no formulário que tem lá no site da entidade, logo na primeira página (no finalzinho, "Reclamações Sobre Propaganda"): www.conar.org.br

Lembrando que o CONAR é um órgão não-governamental, e o máximo que ele pode fazer é recomendar a alteração ou sustação do anúncio, além de "puxar a orelha" da agência e do anunciante. Essa recomendação geralmente é cumprida.

Mas a denúncia ao CONAR não exclui uma outra ao Ministério Público, que pode aplicar sanções mais pesadas, como multa, dependendo do teor do anúncio.

É isso aí, gente.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

I'm a Barbie girl in a Barbie world...



E não é que a Barbie está fazendo 50 anos, gente? Tirando as pernas finíssimas, que dificilmente equilibrariam um tronco real e os peitos desproporcionais, que mais serviriam para vergar de vez a coluna, até que a bichinha está bem conservada, hein?

Brincadeiras à parte, não sei se vocês lembram que no vídeo Criança, a alma do negócio, um dos comentaristas fala sobre as bonecas do tipo Barbie e alerta para uma inversão de imagens: antes, as meninas brincavam com bonecas e exerciam a maternagem (Rubrica: psicanálise. Técnica empregada na psicoterapia, esp. das psicoses, que busca estabelecer entre terapeuta e paciente, no simbólico e no real, uma relação semelhante à que existiria entre uma "mãe boa" e seu filho; fonte Houaiss). Com as bonecas acima citadas, esse processo não mais acontece porque ele é substituído pela projeção: a menina brinca com a Barbie não como sua mãe, mas, sim, como uma representação do que ela quer ser.

Além da imposição do padrão estético caucasiano e da magreza como ideal de beleza, existe um choque do real com o imaginário que é devastador: uma menina de quatro anos, por exemplo, construir uma auto-imagem baseada nessa distorção. E por mais que se diga que não, as coisas estão aí para serem vistas mesmo e que cabe aos pais educar e blablablá, o negócio todo parece bem alinhavado e coerente, dentro de uma coerência que visa só a atender um lado, o que vende: a menina de quatro anos se vê como uma Barbie, portanto, vai precisar da maquiagem da Barbie, da sandália de salto da Barbie, do celular da Barbie e de quantos mais produtos forem lançados em nome da boneca. Amém.

Ah, sim, e antes que venham me dizer que tem Barbie negra, morena, asiática e marciana e que assim todas as etnias estão valorizadas e a criança pode ser identificar e não se sentir marginalizada, eu digo que isso não é favor e fruto da consciência e da globalização e que we are the world, we are the children etc. São fatias de mercado a mais para consumir e com a ilusão adicional de que estão sendo valorizadas.

Na minha infância, a boneca da vez era a Susi. E eu tive não só a Susi, como o Beto, a Susi ciclista e mais as roupas de ambos, que eram compradas na antiga e extinta Viana Leal, no centro do Recife. Até bem pouco tempo, quando a minha avó era viva, revi esses bonecos e uma coisa me impressionou: comparada com a Barbie e até mesmo com o modelo atual da Susi, a antiga boneca era muito mais carnuda, tinha um corpo normal, de uma mulher magra, mas não anoréxica.

Aí eu pergunto: a questão é só os pais colocarem limites e educarem suas crianças? Acredito que isso seja a base e o dever de casa de quem se propõe a botar filho no mundo. Mas será que o bombardeamento de mensagens que levam a esse tipo de consumo inconseqüente pode deitar e rolar em nome da liberdade de expressão? Sim, porque liberdade de expressão virou o passe da hora para justificar toda e qualquer coisa.

Não quero mudar o mundo, não quero brigar com as minhas amigas publicitárias, não quero dizer que a culpa de toda e qualquer sacanagem do mundo é da TV e da publicidade. Apenas entendo que senso crítico e ética são pontos que devem nortear nossa vida pessoal e profissional. Não é porque está na TV e a campanha foi feita pelo papa da publicidade internacional ou tupiniquim que eu devo achar que é lindo e maravilhoso. Existe uma mensagem que subjaz a esse texto e ela, no fundo, se resume a compre! A peça pode ser linda, bem-feita, sutil etc., mas ela não pode me cegar a ponto de putz!, eu preciso disso porque senão a minha vida acaba agora,
embora a idéia seja essa mesmo: tira a tua bunda do sofá e vai comprar!

Da mesma forma e para não dizerem que tirei a semana para espinafrar a publicidade, também não é porque eu tenho um livro nas mãos e saiba que o(a) autor(a) suou para publicá-lo e tem seu nome na listinha dos mais lidos da Veja, que a obra é boa.

Simplesmente não consigo engolir as coisas só porque elas parecem ser boas, porque o filho da minha amiga tem, porque apareceu na novela das oito, porque isso aparentemente vai elevar a minha auto-estima. É essa a diferença e é essa a mensagem que a publicidade tenta nos meter goela abaixo: que você será único e exclusivo e que o mundo te tratará melhor, Fernandinho.

Não, o mundo não te tratará melhor e você será mais um que usará a mesma roupa, o mesmo tênis, o mesmo cabelo, o mesmo perfume. Você, na sua ilusão de exclusividade, virou uma criatura pasteurizada e lugar-comum, é só olhar ao redor que dá para perceber. No máximo, você vai ser bem tratado e aceito na tribo que não vive sem as roupas X, os sapatos Y e o perfume Z. Seu micro-mundinho que lhe dá segurança e a sensação de conforto. Seja diferente sendo igual, assim você não terá problemas. Zona de conforto total flex.

No entanto, não estou pregando uma vida de zero consumo, morar no mato, sem luz, telefone, TV, internet e demais bens de consumo, antes que me façam essa proposta irrecusável... O que eu gostaria de pontuar é que não existe almoço de graça e que comprar ou não, consumir ou não, deveria ser um direito exercido mediante uma necessidade real e não imposta de maneira muitas vezes desonesta. A sensação é aquela: ah, hoje estou deprimida, vou no shopping gastar e logo, logo passa. Não passa. O buraco volta porque não era a bolsa, o batom ou o CD que você queria de verdade... E é com essa sensação de desconhecimento, de alheiamento de si que a engrenagem se move. Porque pensar é artigo cada vez mais de luxo e, obviamente, pouco estimulado. Melhor ter. A eterna guerra da essência contra a aparência. Idiotices que existem pra quê, mesmo? Ah, apenas para você ser o do contra, o radical, o porra-loca, o alternativo. Melhor mesmo é c-o-m-p-r-a-r e ser feliz como as famílias de comercial de margarina.

Claro que as fábricas precisam produzir e se produzem, precisam vender. Aí entra a publicidade, com suas lindas e elaboradas campanhas. Beleza. Só não queiram me dizer que é coisa fácil resistir e não comprar, mesmo sem ter condições. Na íntegra do vídeo, são entrevistadas uma mãe e uma filha. A menina é aquela que na versão curta diz que não sabe por que quer se maquiar, que ainda não descobriu a razão disso, lembram? Pois bem, o vídeo maior mostra a entrevistadora se despedindo das duas em frente um a casebre sem acabamento, com os tijolos à mostra, provavelmente de dois cômodos, num terreno baldio, onde as duas moram. Isso é bacana? Eu não acho. Mas isso vai da consciência de cada um, claro.

E, sim, minha filha tem bonecas Barbie, que, infelizmente, é um dos presentes mais recebidos nos seus aniversários e eu, como não sou uma ogra, não devolvo ou jogo na cara de quem deu. Mas sabem o que me dá prazer e a me faz constatar que estou no caminho certo? É ela ganhar, brincar umas horinhas e depois deixar pra lá porque prefere andar de bicicleta, patinete, ir às aulas de natação ou brincar com os animais quando vai à fazenda da avó. Ah, ela também não resiste a bons livros infantis, os quais já lê desde o ano passado, aos quatro anos de idade.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Criança, a alma do negócio



Para quem tem filhos pequenos e precisa travar lutas diárias contra a TV e a publicidade. O vídeo abaixo é uma amostra de como a coisa é intrincada e maldosamente direcionada a criar, desde cedo, uma massa alienada de consumidores. A solução? Limite as horas em frente à TV e, se possível, esteja junto, fazendo uma leitura crítica do que a sua criança vê. Use uma linguagem direta, franca e objetiva. Bom senso é uma coisa que se cultiva e o tempo é agora.





O vídeo na íntegra é longo, mas quem puder, veja, porque é muito interessante:





Grande dica da Bodega.


Update: Bastante pertinente e bem contextualizado este comentário, apesar de anônimo:

Essa fórmula é bem conhecida: faça o que eu digo mas não faça o que eu faço!

Madonna ícone e ao mesmo tempo iconoclasta, que vive da imagem e da venda dela, proibe seus fiilhos de verem tv. Legal né? Os filhos dos outros podem inclusive consumir a sua imagem e tudo que está por trás, mas os dela não.

Assim são os publicitários, fazem propaganda de refri pros filhos dos outros, os deles, não tomam.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Delícias da Amazônia






Paul chegou sábado passado de Manaus e trouxe as belezinhas aí de cima: licor de cupuaçu e esses maravilhosos bombons recheados com frutas da terra. Não sei se vocês sabem que morei três anos em Belém e simplesmente adoro tudo que vem do norte - exceto a banda Calypso, claro.

Mesmo conhecendo a maioria dos sabores, teve outros novos para mim, como o cubiu e o camu-camu (pensem numa coisa gostosa: o azedinho dessa fruta maravilhosa contrastando com o discreto doce do chocolate...), que são típicos da floresta amazônica. Atualmente, o açaí e o cupuaçu são bastante apreciados no restante do país, mas quando morei em Belém, há vinte anos, nada disso era conhecido por aqui.

Fora os sabores que citei, os recheios são de buriti, bacuri, acerola (tem origem nas Antilhas, América Central e norte da América do Sul), castanha-do-pará e de caju.

Lógico que a esteira da academia está gritando esta semana, né? Também estou em fase de distribuição dos últimos bombons sobreviventes. Alguém se habilita? :P



"Tu estavas, avó, sentada na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabias e por onde nunca viajarias, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e disseste, com a serenidade dos teus noventa anos e o fogo de uma adolescência nunca perdida: "O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer". Assim mesmo. Eu estava lá."

(José Saramago, in "As Pequenas Memórias", Cia das Letras)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Enquete Marcelo Faria



Porque depois de tanto tempo e tanta revolta dos rapazes, que foi expressa das mais diversas formas (raiva, desprezo, silêncio, inveja, despeito e depressão), eis que a Enquete volta.

Gostaria de pedir que os moçoilos mandem sugestões, mas que o façam via e-mail para a minha excelsa pessoa, porque por aqui estraga a surpresa, tsá?

E para me redimir com a ala masculina que freqüenta o Leite de Cobra, hoje tem uma piriguete, moça bonita, inteligente e esforçada. Mas deu um trabalho daqueles para arrumar fotos dela com meio metro de pano no corpo, viram? Por isso, compareçam e votem.

Baranga of the week

Sabrina Sato


Já esquentando os tamborins (ou seria a cuíca?) para o Carnaval:





Fechação básica na Barra:





Tchaubeijomeliga:





Tão meiga...








Cara de prisão de ventre:





Momento inusitado - Sabrina com (pouca) roupa:














Marcelo faria.