
Semana passada, hora de pegar Mariana na escola, em Amsterdam. O bairro, próximo da Muiderpoort Station (uma parada de trem antes da Centraal Station), não é o que se pode chamar de agradável: é bastante sujinho e descuidado, bem diferente das ruas de Diemen. Não tivemos outra escolha porque Mariana, antes de entrar na escola regular, precisa frequentar, por um ano, a escola para crianças estrangeiras, na qual é ensinado o idioma, e a mais próxima da nossa casa é justamente essa. Falo mais sobre isso depois.
Voltando à questão deste post, daqui de casa para a escola, levo vinte minutos de transporte público. Geralmente pego um bonde e um ônibus quando o tempo está ruim, mas quando não, só o bonde e faço o resto do percurso a pé. Como a semana toda foi de sol, segui assim.
O fato aconteceu quando eu estava andando pelo túnel sob o viaduto da ferrovia da Muiderpoort Station. Nele há pistas de carro, ciclovias e calçadas nos dois sentidos e geralmente tem algum movimento, mas nada muito intenso. No momento em que entrei no túnel, o trânsito estava bem tranquilo, restringindo-se a algumas bicicletas no sentido contrário ao meu. Foi quando vi atrás de mim, a uma distância de menos de cinco metros, dois rapazes andando apressadamente. Nesse momento, meu coração disparou e eu congelei, reação instantânea de quem morou tantos anos em cidades grandes e violentas como Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Os rapazes, claro, passaram conversando normalmente e eu levei alguns minutos para recobrar a tranquilidade.
Ainda não perdi o hábito de andar olhando para trás, coisa que o pessoal daqui acha estranhíssima, mas, sei lá, não dá pra bancar a lesa, afinal, aqui tem batedor de carteira (especialmente nas ruas mais movimentadas do centro de Amsterdam), arrombamento de casas (no verão, a coisa piora) e muito roubo de bicicletas. Nada que se compare com o Brasil e isso dá muita tranquilidade, claro. No entanto, são anos e anos de condicionamento e de reflexos em prontidão, espero um dia encontrar a medida certa e relaxar um pouco.










