sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Ele: o vizinho de cima



Bem, parece que o meu vizinho de cima virou uma personagem famosa, hein? Vou tirar a criatura das sombras e dar o resumo da ópera (bufa) para vocês.

Eu tenho trauma de vizinho de cima. Parece karma. Antes dessa pessoa chegar, moravam um casal e um filho, que era um cão chupando manga e engolindo o caroço danado: fazia muito barulho a qualquer hora do dia ou da noite. Para minha sorte, o casal queria outro filho e decidiu mudar para um apartamento maior. Nem preciso dizer que chorei lágrimas de crocodilo, né? Pois sim.

E para coroar a minha glória e regozijo em vida, quem comprou o apartamento foi um senhor de seus 70 anos, sem família que morasse com ele, tendo apenas uma funcionária cuja folga ocorria nos fins de semana. Perfeito, concordam? Vão vendo...

Pois o meu novo vizinho (que é o atual cujo nome está dentro da bem costurada boca de um sapo-cururu) revelou-se um sujeito arrojado: tem uma vida social muito boa, recebe muitas visitas, faz hidroginástica complementando com caminhadas na praia, enfim, é um triatleta.

Mas, como nem tudo é perfeito, ele tem um problema: padece de insônia! De modo que a partir das 22h o cidadão começa a arrastar os móveis (essa é a terceira modalidade esportiva que a criatura pratica)e só acaba quando o Drontal ou qualquer coisa que o valha deixa. Se isso é o ruim, tem o pior: o arrastar de móveis é no quarto dele. Se isso é o pior, tem o péssimo: o quarto dele fica em cima do meu!
E eu fico aqui desejando ser uma mosca (tsé-tsé) e subir até o quarto dele para ver a disposição do mobiliário e entender a razão pela qual esse homem faz tanto barulho.

E nem inventem de ficar com dó do traste e parar de colaborar com as idéias malignas, sim? Quem tiver pena que troque de casa comigo por uma semana e veja...

Já tentei de todas as formas contornar o problema: conversei com ele amigavelmente. Nada. Comuniquei à síndica. Nada e ele ainda negou que o barulho fosse de lá. Fiz uma ocorrência no livro de reclamações que vai para empresa que administra o condomínio. Nada e o safado continuou dizendo que não era de lá.

Na última vez que liguei para a portaria para reclamar, a criatura interfonou para mim, repetiu que não era lá, me chamou de louca e ainda desligou o interfone na minha cara! Só falta agora eu chamar a polícia. E não está longe. Daí que vocês não se espantem quando a imprensa pernambucana noticiar que uma mulher, espumando, chegou na delegacia com os dentes cravados na canela de um senhor da boa idade. Eu não sou louca??

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Suando o top



Um ano e cinco quilos depois, voltei à academia: malhação é o meu nome. Academia nova, instrutor novo, metodologia nova. Resolvi sair do esquema de anos de musculação pesada - para quem não sabe, fiz musculação até o oitavo mês de gravidez -, e agora é ir sem pressa, respeitando os meus limites e o fato de eu ter uma hérnia de disco cervical de estimação. Porque quem treina pesado não tem limite, vamos combinar. Mesmo sabendo que não dava, eu caprichava no peso e as crises constantes de hérnia eram o resultado.

A minha relação com a musculação estava tão ruim que nesse ano parada não tive sequer uma crise, ao contrário do que se supunha com o ganho de cinco quilos (na verdade, formam sete, mas já mandei dois pro espaço). Por isso, agora o lance é ir devagar, recuperando aos poucos o condicionamento sem sobrecarregar a minha coluna.

Mas o melhor de tudo vocês ainda não sabem. Estava eu fazendo aquela meia horinha básica na esteira quando um velho conhecido chegou para fazer hidroginástica. Quem? Quem? Quem?? Sim, ele mesmo, o filho da puta meu vizinho. Aquele que tira minhas noites de sono e cujo sossego você, caro(a) leitor(a), e eu estamos tão empenhados em tirar também.

Pelo menos agora vejo uma saída para o caso das coisas piorarem por aqui. Dependendo da minha noite de sono, amanhã levo o secador de cabelo para conhecer a academia nova...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Mãe não é tudo igual



Quando eu era criança, achava as mães de todos os meus colegas da escola lindas. Todas tinham a voz calma e os olhos doces. Não havia, naquele tempo, um ideal físico: elas eram altas ou baixinhas, gordas ou magras, brancas ou morenas, mas todas lindas e tinham a voz calma e os olhos doces.

Teve um dia em que, na fila para voltar do recreio, chutei a canela de um menino. Lembro seu nome até hoje, mas não o motivo do chute. No outro dia, a mãe veio falar comigo, saber a razão daquilo. Eu não lembro o que respondi, mas mesmo assim sua voz era calma e seus olhos doces ao dizerem que o filho teve febre à noite.

Talvez pelo fato de eu ter passado a minha infância vendo essas mães jovens e gentis e tendo em casa uma avó que fez as vezes de mãe da melhor forma possível, desenvolvi esse fascínio pelas mães alheias porque via nelas o que eu achava que fosse a imagem da minha.

Na verdade, tive pouco contato com ela na infância: seu relacionamento com os pais, que me criaram, sempre foi explosivo, ressentido, tumultuado, de modo que o pouco que tive dela foi em meio a sobressaltos e visitas que acabavam sempre antes da hora.

Mais tarde, com o passar do tempo e da convivência, percebi que o seu ressentimento e mágoa se voltaram contra mim: o carinho, o cuidado e a proteção que ela queria, mas não sabia pedir ou merecer, ficaram para mim. Não sei exatamente quando percebi isso, mas não foi fácil: minha mãe não me via como filha, mas como alguém que usurpara o que era seu por direito. Essa foi uma das piores descobertas que fiz na vida, sem que fosse preciso acusação alguma, sem que eu tivesse ouvido nenhum trecho da conversa alheia: descobri tudo através da voz e dos olhos da minha mãe.

Durante muitos anos tentei ter com ela uma relação de mãe e filha e creio que em algumas dessas vezes ela se esforçou também. Mas sempre chegava num ponto em que sua imaturidade emocional fazia com que ela não pudesse ou quisesse assumir seu papel - ela preferia jogar sobre mim sua inveja e seu rancor: tudo que eu tinha ou fazia de bom era como um soco no seu estômago. Aquilo deveria ter sido dela.

Chegou um ponto em que desisti dela porque não havia saída: seus tormentos eram grandes demais para que eu os pudesse apaziguar e ela nunca quis ajuda. Preferiu desfilar sua raiva vida afora como um troféu - ela tomou sua decisão e eu, a minha. Entendi que eu não poderia trocar de papel com ela, inúmeras vezes me vi ferida, desnorteada e chocada diante do contraste entre o que eu pensava que viria e o que veio de fato. E foi assim que eu desisti. Sem remorso, sem arrependimento, sem pena, sem nada. Decidi não esperar mais, não sofrer mais. Risquei sua presença da minha vida não porque sentisse raiva, mágoa ou desamor, apenas percebi que não dava mais. Os fatos eram muitos e sempre se repetiam, fosse como fosse. Por que insistir, então?

Causa indignação a muita gente quando falo que não tenho contato com a minha mãe por decisão própria. Daí entram em cena os mais surrados chavões para sustentar o que aparenta ser óbvio: Mas ela é sua mãe!, Mãe é mãe etc. e tal. Talvez o que choque mais seja o fato de eu ir contra a maré: não, nem toda mãe é mãe, e nem toda mulher nasce para ser mãe. Muitas nascem apenas para ser filhas, quando muito.

Já eu me espanto é com a qualidade das relações pessoais e familiares de algumas dessas pessoas. Muitas vivem relacionamentos abusivos, marcados pela humilhação, subserviência, chantagem emocional e agressão velada - quando não explícita -, achando que isso é o normal porque, afinal de contas, mãe é mãe, pai é pai e assim seja para as demais combinações genéticas.

Acredito que as pessoas não estão condenadas a viverem atadas umas às outras numa relação doente só porque existem entre elas laços de sangue. E outra coisa também é fato: mudar, em determinada altura da vida, é praticamente impossível para certas pessoas - elas não querem ou não podem mais fazê-lo.

Então, por que fingir que é normal ser infeliz? Talvez existam várias respostas para a questão, mas desconfio que o medo seja a principal delas: medo de ir de encontro ao senso comum, medo de não saber se relacionar com alguém de forma sadia e, principalmente, medo de iniciar um processo longo e por vezes doloroso de (re)aprendizado afetivo. Por fim, medo de ser castigado - culpa. Sim, ela sempre é a base dos relacionamentos doentes.

Não sou tola de achar que pode haver perfeição nos relacionamentos humanos e há muito aprendi que é injusto idealizar as pessoas: se elas embarcam na fantasia e tentam corresponder, o fardo quase sempre é maior do que podem carregar. Caso se recusem, a decepção fica reservada a quem sonhou sozinho. No entanto, é unicamente nossa a responsabilidade de decidir que tipo de vida desejamos e, na sua urgência, é necessário definir o que levar adiante e o que deixar para trás. Quase sempre essas escolhas são dolorosas, mas uma vez feitas, no lugar fica não um vazio, mas a leveza de poder seguir adiante.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A necessidade é a mãe da invenção



Tive uma idéia que julgo ser muito boa, mas como me falta qualificação técnica para implementá-la, gostaria de contar com a ajuda dos leitores e leitoras do blog que possuam expertise nas áreas em questão.

Seria um objeto em forma de ventosa (aqueles trocinhos de plástico que aderem em azulejos e vidros), mas grande e de metal, por este ser um bom condutor de eletricidade. Deve também ter um mecanismo de ajuste ao teto. O referido objeto deve possuir a capacidade de propagar ondas de choque de médias a intensas, desde que se circunscrevam ao local do seu ajuste.

Objetivo do projeto: acordar o meu vizinho de cima com trepidações no chão do seu quarto de intensidade suficiente para que o mesmo pense se tratar de um terremoto ou desabamento do prédio, porém que não cause danos reais à estrutura do edifício. O objeto em questão deve ser desmontável e de fácil acondicionamento e ocultação.

Áreas de interesse: Engenharias Mecânica e Civil, Física, Arquitetura, Design Gráfico e, só para garantir, Direito.

domingo, 3 de agosto de 2008

Como um dia de domingo






Ficar segurando a mãozinha dela foi a melhor parte do filme. Depois, McLanche. Feliz. :)

sábado, 2 de agosto de 2008

Coisinhas miúdas



Tem gente que acha que é falta de classe mulher falar de futebol. Já eu acho essa atitude esnobe - do latim sine nobilitate (sem título de nobreza), ou seja, daqueles que querem ser, mas não são...

Hoje o dia todo de chuva. À noite, sopa de tomate com almôndegas feita por ele. A vida desce quentinha garganta abaixo. Amanhã? Pode ser que faça sol, mas se não fizer, não acho ruim.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Blogagem Coletiva: Semana Mundial da Amamentação






Inicia-se hoje a Semana Mundial da Amamentação - 1º a 7 de agosto. Aproveito para contar para vocês como foi a experiência de amamentar minha filha, hoje com 4 anos e oito meses.

Amamentei Mariana até 1 ano e três meses, mesmo ela já comendo tudo. E só parei nessa época porque fui forçada: tive uma crise séria de hérnia de disco e, sendo a medicação muito forte, fui aconselhada a parar, pois as substâncias passariam todas para minha filha.

Enfrentei algumas barras para amamentar e se não fosse tão tinhosa, teria desculpas lógicas e aceitáveis para fazê-lo.
Ao contrário de muitas mães, fui muito feliz porque não sofri com ferimentos ou rachaduras nos mamilos. Tive um certo desconforto no começo, lembro só de um pequeno corte, mas deu para agüentar firme e em uma semana tudo já estava muito bem.

Muito do que aprendi sobre esses primeiros dias foi com as enfermeiras do aleitamento do hospital onde Mariana nasceu.
Desde que minha filha me foi entregue, a equipe veio várias vezes, orientando, estimulando, indicando a posição correta, porque o seio só fica ferido se a pegada estiver errada. Essa ajuda foi fundamental.

Até o terceiro mês de vida, Mariana ganhou peso normalmente, mamando em livre demanda e exclusivamente. Do quarto mês em diante, ela começou a ganhar pouco peso.
Após algumas tentativas de introduzir frutas e papinhas salgadas, além do meu leite, claro, a pediatra aventou a possibilidade de uma alergia alimentar.

Ainda tentamos algumas introduções alimentares nos meses seguintes, mas nada fazia com que Mariana tivesse um ganho significativo de peso. Nunca perdeu, mas não engordava o que normalmente uma criança nessa idade engorda.
Foi aí que ela me indicou uma especialista no assunto e lá fomos nós confirmar que Mariana era realmente alérgica à proteína do leite, a caseína.

Aí seria a segunda oportunidade justificada para o desmame. A primeira eu já tinha que era o desestímulo de algumas criaturas sensibilíssimas que viviam dizendo que Mariana não engordava porque meu leite era fraco! Um absurdo, pois nenhum leite materno é fraco: levei essa questão para a pediatra de Mariana e ela me esclareceu que isso é balela, o que acontece é que existem leites maternos mais ou menos calóricos. Que culpa tenho eu de ser light até nisso? Nessas horas, o melhor é sair pela tangente do humor mesmo...

Voltando ao segundo motivo aceitável para parar de amamentar, quando a gastro constatou a alergia, colocou-me completamente à vontade para o desmame.
Eu insisti numa segunda possibilidade. Porque sempre há, não para tudo, mas nesse caso havia: ela me disse que se eu quisesse continuar, teria de cortar TUDO que contivesse leite da minha alimentação. E foi o que eu fiz.
Em pouco tempo, transformei-me numa especialista em rótulos de alimentos, uma farejadora de rastros de leite em qualquer coisa que via pela frente, fosse para meu consumo ou para o da minha filha.

E isso foi um tremendo sacrifíco porque adoro laticínios, especialmente os queijos e iogurtes... Meu café da manhã ficou reduzidíssimo, mas tudo por uma boa causa.
Sem contar que depois de estar sob uma privação dessas, você percebe que tudo que é bom leva leite... Ó vida, ó céus.
O meu consolo era saber que para Mariana seria bem mais fácil porque ela ainda não conhecia as deliciosas tentações que são brigadeiros, sorvetes, pizzas e afins. Já eu passei a sonhar com essas coisas...

Depois notei como a indústria brasileira ainda é pobre na oferta de produtos que atendam à demanda de pessoas que, como nós, estávamos nessa situação. Aqui em Pernambuco então a coisa complicava. Amigas que moram no Sul e no Sudeste tinham mais produtos à disposição. Vaguei por todos os supermercados daqui à procura de um iogurte de soja e nada. Lembro que na época só tinha sorvete de maçã e soja de uma marca pioneira em bebidas à base de soja. E era delicioso! Até hoje de vez em quando tomamos.

Com quase 2 anos Mariana superou a alergia e hoje come tudo, inclusive laticínios, normalmente. E acho que saiu a mim: adora queijinho e iogurte.

Tenho certeza de que tudo que passamos valeu. Não ter desistido de amamentar minha filha fez muita diferença! Ela, por exemplo, nunca teve uma diarréia, que é um dos muitos benefícios da amamentação: intestino funcionando como um reloginho!
É isso aí. Para as leitoras do Leite de Cobra que pretendem ser mães, uma grande dica: amamentem muito. Além de tudo, ajuda a voltar à forma que é uma beleza. Experiência própria!