Às vezes penso que o Facebook tira minha vontade de escrever. Não que lá eu escreva demais. No entanto, o gosto por escrever se dilui, talvez pelo simples fato de lá haver mais feedback, sei lá. Além do mais, não tenho mais aquela energia que tinha de escrever aqui, nas velhas e boas listas de discussão do Yahoo e ainda manter um fluxo considerável de e-mails pessoais, estou cansada das virtualidades, acho. Também porque eu, pessoa prolixa que sou, muitas vezes não me contento em não ir fundo naquilo que escrevo e, ultimamente, a vida, muito mais que as palavras, as quais são a sua elaboração, tem me imposto esse ônus, aí eu penso: já deu por hoje, né? A verdade é que estou num momento mais para dentro, naquele processo de plantar para colher não sei quando e imprecisão não é palavra das mais palatáveis.Ontem, faleceu uma tia minha, irmã do meu pai, de quem fui muito próxima quando criança e pré-adolescente. Faleceu na madrugada (horário do Brasil), depois de um tempo internada, oscilando entre saídas e voltas para a UTI. Uma morte já anunciada, mas mesmo assim sentida por todos nós. Aí voltam as lembranças, a impossibilidade de estar com a família. E eu compartilhei com a minha filha todas as boas lembranças porque ela conheceu a tia já vitimada pelo Alzheimer, desmemoriada, e eu quis lhe dizer que nem sempre ela havia sido assim. No final, Mariana achou uma pena não tê-la conhecido como eu. É sempre uma pena não viver. Ou viver demais.
Pelo fato de ter saído da tutela familiar aos 20 anos (fui morar em Belém e de lá, ganhei o mundo), perdi diversos familiares estando ausente e isso vai calejando um pouco, mas sempre fica a sensação de estar no meio do nada, deixando escapar entre os dedos os fios que formam essa teia invisível de sentimentos, que são a substância da qual somos feitos. De qualquer forma, seguimos acumulando não ausências, mas lembranças e reconciliações, a história que contaremos aos nossos filhos e eles, aos nossos netos. A vida em sua aterradora simplicidade.


















