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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ódio no coração



Quando eu pego abuso de uma coisa ou pessoa, sou foda, reconheço.



E com o passar dos anos, meu nível de tolerância com certas coisas e pessoas está cada vez menor, ao contrário do que eu pensava que fosse acontecer porque dizem que a idade traz sabedoria. Pra mim, além da sabedoria (e modéstia, claro), ela trouxe a certeza de que eu não devo perder tempo com situações e pessoas que não têm muito a ver comigo, porque, olha, a vida é curta e passa rápido demais.

Nos últimos meses, tenho convivido com uma criatura, literalmente vinda das Arábias, que anda me enchendo muito o saco. O ser, apesar de mal falar inglês, consegue bisbilhotar, fofocar e assuntar a vida alheia com perfeição. Nada escapa aos olhos (e ouvidos) dessa pessoa, mesmo que ela entenda tudo errado.



Ela é mãe de um colega da minha filha lá da escola de estrangeiros, cujo bairro, se eu já não gostava há alguns meses, nesta altura estou odiando, mas falo sobre isso depois. Pois bem, não tem como não dar de cara com a pessoa porque mesmo eu chegando em cima da hora pra pegar Mariana e fazer de conta que mando 500 e-mails pelo celular, a pessoa dá sempre um jeito de chegar junto e falar, falar, falar...

A última da espertalhona: chegou pra mim, toda pimpona, dizendo que tinha ido na prefeitura da cidade dela pedir seguro desemprego. Nisso, ela, que já tinha me dado umas quinze cutucadas -- sim, ela tem a mania, que eu adoro, de falar pegando, cutucando, balançando a gente --, disse que eu deveria fazer o mesmo porque eu tinha direito e tal, com a convicção que teria a rainha Beatrix, ela mesma, na sua Excelsa pessoa.

Eu, tomada da mais pura emoção, falei com Paul sobre o ocorrido. Ele, todo trabalhado no ceticismo holandês, foi procurar na internet, apenas para confirmar, as regras sobre quem pode receber seguro desemprego e tal. Daí que morreu o assunto com a criatura. Mas, não satisfeita, ela manda por Paul uns folhetos de imposto de renda (Paul leva Mariana na escola de manhã, na maioria dos dias) para que ele me entregasse. Ficamos sem entender a razão desses papéis e, no dia subsequente, perguntei a ela a que se referiam os mesmos. Ela, com a cara de quem me acha uma idiota, disse que os papéis eram sobre o seguro desemprego.

Nisso, não pude evitar o encaralhamento. Falei que aqueles papéis nada tinham a ver com o seguro e aproveitei para acabar com todos os sonhos doirados da pessoa, que, vejam bem, acreditava que poderia viver às custas do governo A VIDA TODA! Sim, né lindo?

Falei, dentre outras coisas, que a renda do marido deveria ser declarada e caso ele ganhasse o suficiente, ela não teria direito. Depois, vai que ela tivesse, o marido teria uma fatia bem maior do salário abocanhado pelo imposto de renda. E a cereja do bolo: sim, ela poderia até conseguir, mas o governo, depois de um tempo, começaria a indicar trabalhos para ela, porque obviamente ela teria de deixar os seus dados numa agência de empregos, e em algum momento, ela deveria aceitar o que lhe seria oferecido ou o benefício seria cortado. E pra arrematar, falei que não interessava se no país dela ela fez faculdade. O que importa é que ela não fala holandês (nem ofendi dizendo que o inglês dela é péssimo -- do tipo que troca sell por buy...) e o que arrumariam para ela seria subemprego nessas condições. Na lata. Claro, porque a pessoa acha que os outros são imbecis. Ela e o marido não falam uma palavra de holandês, não sabem como as coisas funcionam (e nem procuram saber) e acreditam que são safos e podem se dar bem na malandragem. No fim, ela olhou para mim e disse, na cara dura, que achava que teria o seguro desemprego pra VIDA TODA só pelo fato de estar aqui. Quase me babei de rir, mas consegui me controlar. Peraí, uma pessoa que tem acesso à internet não lê que todos os países europeus estão afunilando cada vez mais para a entrada de imigrantes e diminuindo as verbas gastas com os mesmos? Menas, né? Deu vontade de fazer uma pergunta singela, porém objetiva à criatura: E no cu não vai nada? Faça-me o favor!

E o que me deixa mais puta nisso tudo é que muita gente fez esse tipo de trambique e viveu às custas do governo por anos -- e não só imigrantes, claro, os locais também. Por causa desses putos, quem vem com intenção de aprender o idioma de verdade e se integrar acaba se prejudicando porque nada mais, meus queridos, nada mais sai de graça aqui, pelo menos não para os adultos.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

E no café da manhã, quer o quê?






Quem acompanha este blog e/ou me conhece fora dele, sabe o quanto o final de 2009 e 2010 inteiro foram difíceis para nós.

No auge da crise econômica, eu não botava a menor fé que Paul fosse contratado, aqui na Holanda, para o mesmo cargo que exercia no Brasil (e um ano depois ser promovido, inclusive), quando muita gente tinha seus salários reduzidos ou mesmo era demitida. E tudo ocorreu de uma hora para a outra. Passamos um mês de férias aqui (abril de 2009) e nesse meio tempo, Paul fez algumas entrevistas de trabalho e tal, mas tudo muito vago. Voltamos para o Brasil e três meses depois, uma empresa liga dizendo querer uma entrevista, Paul volta para cá, faz a bendita entrevista, assina contrato, volta para o Brasil e tem até o final daquele mês para assumir seu cargo na nova empresa. Assim, vapt vupt, do dia pra noite.

Daí que eu e Mariana ficamos sozinhas de repente e lidar com isso não foi fácil porque Paul, apesar de viver viajando a trabalho, sempre foi muito presente. No caso de qualquer urgência, que nunca aconteceu, felizmente, pegar um avião de São Paulo para Recife, por exemplo, não seria nada de mais. Já do outro lado do oceano, a coisa mudava de figura...

Pois bem, minha vida virou de cabeça para baixo, tive de segurar a minha onda e a de Mariana, que se acabava de chorar por causa do pai, tive de dar conta das últimas disciplinas presenciais da minha pós-graduação, redigir meu trabalho de pesquisa em literatura brasileira o mais rápido que pude para ganhar tempo e poder me preparar para o exame de língua holandesa, que fez parte do pacote da imigração; fora as broncas cotidianas, coisas de casa etc. Enfim, eu tive de me virar em mil e sem ajuda de ninguém.

Foi nessa fase que muitas pessoas, tidas como amigas, mostraram realmente quem eram: sequer se deram ao trabalho de fazer uma simples ligação para perguntar se estávamos, eu e Mariana, precisando de alguma coisa. Apesar de na época eu ter me chocado com esse tipo de comportamento, hoje percebo que ele foi essencial porque serviu para mostrar quem efetivamente pode ser considerado amigo. E hoje eu sei quem é quem.

Engraçado agora é ver que esses "amigos" se dividem, em relação a nós, em duas categorias: os que estão com algum problema e acham que nós temos obrigação de ajudá-los (e ficam magoados quando acham que não estão sendo prontamente atendidos por nós, os insensíveis!) e aqueles que vivem mandando recadinho em MSN, Facebook, Orkut, e-mail etc., dizendo que, em breve, vêm nos visitar -- ficando hospedados aqui em casa, claro. Ah, meu, vão tomar no cu, sim?


sábado, 17 de julho de 2010

Ai que sono...



Tem gente que se leva muito a sério. Confesso que já fui assim. Tem gente que tem blog e se acha um popstar, um formador de opinião. Confesso que nunca cheguei a esse ponto ridículo. Tem gente que adora a audiência de um blog para provar o quão atilada é a sua mente, o quanto a sua experiência de vida (emocional/intelectual/política etc. e tal ) vai mudar o mundo e, claro, quem discordar dos seus sacrossantos ensinamentos obviamente é o ser mais imbecil e indigno de respirar o ar deste tão maltratado planeta em que vivemos. Confesso que, em alguma medida, já pensei assim. Mas não mais hoje. Cansei da convivência (pessoal e virtual) com esse tipo de gente. E esse fato, além de dar uma triada considerável nas minhas relações (pessoais e virtuais), fez com que eu percebesse, em mim, o quanto é ridículo a panfletagem. De modo que os assuntos deste blog, sejam eles quais forem, não estão nem estarão aqui para serem polemizados, rebatidos, replicados etc. Como já disse antes, em respostas e lá em cima, na descrição do blog, aqui escrevo o que quero e como quero. Se alguém procurar coerência, terá (mas não necessariamente a sua). Se procurar mau humor, terá (bom também). Textos poéticos, terá. Ironia, idem. Escracho, idem. Agora, só não venham encher o saco esperando de mim discursos de natureza filosófica, política, aquelas coisas das energias que fluem e o cacete. Como já disse, nao tenho paciência para isso. Blogs que desvendam os mistérios da existência em todos os seus setores por aí tem aos montes. Aqui, não. Aqui, escrevo o que eu quero e sem a menor preocupação em agradar a A, B ou C. Não ofendo ninguém, mas se alguém por ventura se sentir ofendido, que fale, de preferência num tom minimamente civilizado, caso contrário, a minha resposta será proporcional à ofensa, simples assim. E, por favor, deixem de falar em exceção quando escrevo alguma coisa. Falar sobre alguma coisa, bem ou mal, perde o sentido quando neguinho chega e fala: tem exceções, viu? Jura mesmo? Gente chata é uma merda.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Momento cão no couro






Eu respeito todas as religiões e apesar dos pesares, acredito que elas podem desempenhar um papel fundamental em determinados momentos da vida, nos quais somente pela força da fé, a integridade sobretudo mental é preservada. Agora, o que dá o direito a um cristão de engolir a porra de um microfone e ficar vociferando para o bairro inteiro ouvir um discurso ininteligível, no qual a palavra aleluia substitui os pontos, as vírgulas e os pontos-e-vírgulas? Do alto deste vigésimo terceiro andar e do fundo do meu coraçãozinho peludo, vos digo: a vontade que me dá é de possuir uma bazuca.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Zilda Arns e os pequeninos (de espírito)






Fico besta diante do ranço de certas pessoas que tentam obscurecer a grandeza de outras simplesmente porque elas (seus alvos) têm posições ideológicas diferentes das suas. Botando os pingos nos is: ouvir que Zilda Arns foi uma grande mulher apesar de suas posições me soa de uma arrogância sem par (ou despeito ou vontade de sobressair em meio à unanimidade do discurso que lhe atribui valor, mesmo que à fina força ). Ela foi e fim. Porque se salvar uma vida já faz a diferença, o que se dirá de várias e várias gerações? E o que importa, diante dessa constatação, o fato de haver religião no meio? Acho que o valor da vida humana e de quem efetivamente levanta a bunda da cadeira e de suas tão bem ordenadas teorias que cercam o nada com a paisagem do lugar nenhum deveria transcender essas miudezas.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Karma Sutra






Sei não, mas desconfio que em outras vidas fui:

a) animadora de festas
b) psiquiatra
c) vidente
d) muambeira
e) dona de pensão
f) cafetina
g) orelhão

Só pode. Karma é a única explicação que me resta.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Fall down on me



(Clique na imagem para ampliá-la)





E eu aqui fazendo um esforço imenso para não deixar o barco à deriva, embora saiba que quase tudo é inútil, puro desperdício de energia física e mental. Mas sigamos cumprindo tabela.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009






roland barthes. althusser. estruturalismo. harold bloom. bakhtin. chomsky e seu modelo arbóreo. a estética da recepção. punheta. o capote de gogol. octavio paz. ortega y gasset. brecht e artaud e ionesco. pós-estruturalismo. walter benjamin. cu. avalovara. genet. norman friedman e sua tipologia, bem como jakobson. alteridade. terry eagleton, marx e engels. freud e lacan, deus seja louvado, k.g. jung e suas couraças. marilena chauí. roger chartier. formalismo russo. umberto eco. boquete. pavlov e piaget. julia kristeva. escola de frankfurt. pós-modernidade. new criticism. leyla perrone-moisés. calvino. mahabharata. esaú e jacó. estranhamento. baudelaire. todorov. lukács e greimas. positivismo. zola. alfredo bosi. fragmentos de um discurso amoroso. as vanguardas europeias. raimundo carrero. léry. oswald de andrade. os sertões. paulo freire. a náusea. impressionismo. metalinguagem. foucault. lsd. a fabricação da loucura. thomas mann e cortázar. dostoiévski. haicais e infovias. foda. saussure. fernando pessoa. puella parva. leminski. melanie klein e os seios. pqp. neruda. miró da muribeca. gil vicente. picasso. antonio candido. capitu. benveniste. arthur miller. homero. diacronismo. epistemologia. a dança das abelhas. claude levy-strauss. sílvio romero. derrida. cesário verde. norberto bobbio. las venas abiertas de america latina. o cão sem plumas. caralho. o ano da morte de ricardo reis. mia couto. skinner. bukowski. buceta. abnt. j.l. borges. habermas. eros e civilização. o lobo da estepe. duras. o.m. carpeaux. fausto. aristóteles. a divina comédia. clepsidra. poesia marginal. perspectivas. hipertextualidade. porra. edgar alan poe. e. bishop. ontologia, didascálias. pierre lévy. o banquete. édipo rei. deleuze e seus mil platôs. o auto da compadecida. santaellla...

Ai, bora ali tomar uma cerveja? Overdose de papo pseudo-intelectual. Saco cheio mode on.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A bad hair day



Noite péssima, cãibra na panturrilha bem no meio da madrugada, a cabeça explodindo e o Vizinho de Cima todo trabalhado no tema da faxina-que-cura-insônia. E hoje ainda é dia 9. A propósito, setembro tem 30 ou 31 anos? Queria uns diazinhos de férias, de preferência em um lugar qualquer de outro planeta porque gente só serve pra encher bem muito o saco e repetir uma frase simples duas vezes já beira o insuportável. Lidar com gente inconstante, grosseira e irresponsável vem a ser a cereja do bolo. Bad mood completely on.

sexta-feira, 26 de junho de 2009






Não, eu não vi e nem vou ver o vídeo da morte da moça iraniana. Se é humano esse gosto pela morbidez, da mesma forma é repugnante. Certos atos só refletem a precariedade das nossas percepções: ver enche de horror e de fascinação, mas também anestesia o medo. Que tipo de coragem é essa, então, que aperta o play? Qual é o animal que, não estando louco, morde a sua própria sombra? Darwin deve estar rindo até agora da peça que nos pregou.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Momento de ternura



Pode me chamar de estressada, debochada, prepotente, intransigente, sapatão (hahaha), mas não me chame de florzinha, não, porra!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Supermãe...



Fernanda Lima se vira para passear com os gêmeos no Rio:





Assim eu também me viro e com mais de dois:




terça-feira, 2 de junho de 2009

Vôo 447



Acho perverso isso da imprensa ficar divulgando fatos e particulares da vida das vítimas do desastre aéreo. Não têm o mínimo respeito e nem disfarçam o desejo de que a dor renda, em escala nacional, o máximo possível, até que venha a próxima catástrofe, o próximo escândalo. Ô corja! Por isso que não acompanho mais nada desse triste episódio. Pra mim deu.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Olha, que isso aqui tá muito bom...



As chuvas já começaram e daqui a pouco volta a se repetir o mesmo de todos os anos, ano após ano, religiosamente: deslizamentos de barreiras, mortes e as autoridades jogando a responsabilidade de lá pra cá - pra cá, não, que eu não tenho nada a ver com isso... Só faltam dizer que a culpa é do morador do morro que, podendo morar num Moura Dubeux, se manda para uma zona de risco só para sair nas capas dos jornais, pense num povo abusado!

Mas morar em Recife tem lá seus encantos. Você pode, sempre que quiser, por exemplo, dar um pulinho na praia de Boa Viagem (ou da Boa Viagem, como nossos amiguinhos de outras regiões costumam chamar) e olhar aquele marzão bonito, tomando uma água de coco geladinha. Só tenha cuidado com sua carteira, seu celular e sua vida, fique esperto e não vá querer você também se amostrar em manchetes de jornal. Não se engane, no outro dia você já era: virou notícia velha e o show não pode parar.

E o negócio não tem hora para começar, não. Muito menos pra terminar. Ser assaltado e levar uma bala na cara não é mais parte da programação noturna da cidade: qualquer hora é hora e o palco é itinerante.

No entanto, tem nego que ama isto aqui, que não sai por nada neste mundo. Sair, sai, sim. Basta um dia ele ou alguém de sua família ser a vítima. Aí ou ele acorda, faz as trouxas e se muda para Miami ou Afogados da Ingazeira, ou vai fazer passeata pela paz, perdoar o assassino porque ele é produto das desigualdades sociais e blablablá e virar notícia também. Se tiver pedigree, pode dar sorte e aparecer por dois dias consecutivos nos nossos digníssimos tablóides.

E nem estou falando das ruas porque estas continuam como sempre: sujas, igualmente cheias de cocô de cachorro e demais degredados - como é que a prefeitura, que desde tempos imemoriais está nas mãos do PT, não faz um trabalho social decente, penso cá com a minha companheira, a ignorância.

Mas isso são apenas detalhes. Já está chegando o São João e na nossa megalomania bairrista não há espaço para mais nada que não seja o forró sacanagem e as tradicionais gentes da fina sociedade local torcendo o nariz e migrando para a chic Gravatá, onde são cultivadas as tradições e o legítimo pé de serra.

O melhor é, então, deixar de besteira, afinal, o que é o caos diário diante do fato de termos o Maior São João do Mundo?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Xô, Peta!






Quando uma organização que trata de um assunto sério como é a defesa e o tratamento ético dos animais permite que uma inverdade seja usada para dar sustentação à sua causa, perde o meu respeito. Aproveitar-se do pânico alheio para qualquer fim, seja ele nobre ou não, é uma tremenda duma escrotice.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Notinha de esclarecimento



No post de ontem, não me referia aos políticos de carteirinha e às chuvas do NE. Estava, umbilicalmente centrada, falando em outro tipo de cerumano, político por natureza, mas não por profissão, aqueles de quem, por um motivo ou por outro, a gente depende, por mais ativos, altaneiros, empreendedores, virados na febre tifóide que sejamos. Sim, tem coisas que não dependem do nosso aguerrido esforço, mas, sim, da boa vontade alheia. Era a isso que eu me referia. E antes que chegue alguém dizendo que eu reclamo de barriga cheia, já mando, de antemão, à merda. Porque o fato de eu ter feito uma viagem muito legal, com zero de incidentes, tudo nos conformes e até além do esperado, não anula a existência de milhões de pepinos na volta e ter também de lidar com atitudes de pessoas que eu, estando no lugar delas, jamais tomaria. Simples. Além do mais, está na minha natureza reclamar. E muito. E ainda vou reclamar mais até a minha chateação passar. Melhor assim do que voar no pescoço de alguém, concordam? E tenho dito.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Gripe Porcina






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Cheguei hoje, 1 da matina. Vôo tranqüilo. Malas já desfeitas. Jet lag na cabeça. Um livro para ler, dois contos e dois textos de Antonio Candido. Para a próxima sexta. Para o próximo sábado. Contas a pagar. Baratas para matar. Calor miserável. Coisas para organizar. Supermercado para fazer. Enfim, não sei quando dou notícias. Fui. Bom dia para todos. Uma excelente semana. E voltar pra casa é sempre uma merda.




quinta-feira, 12 de março de 2009

Macacas ensinam filhotes a usar fio dental






Segundo cientistas da Universidade de Kyoto, no Japão, as macacas de uma colônia na Tailândia ensinam seus filhotes a usar fio dental. Acredito que esse estudo teria inestimável valor para a humanidade se fosse veiculado aos meios de comunicação audio-visuais com o objetivo de ensinar a determinados representantes da espécie humana a utilização do apetrecho, pondo fim, portanto, ao nojento, repulsivo e pouco civilizado hábito de higiene que consiste em retirar restos de alimentos dos dentes com o auxílio ruidoso da língua. Eca!

P.S. Palito também é uma lástima, mas, em termos de nojeira, fica em segundo lugar.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Trouxa não é apenas um embrulho de roupas...



O caso de Paula Oliveira é emblemático porque demonstra claramente o que a mídia, ávida por repercussão, pode fazer com a opinião pública. Ao divulgar uma notícia sem a devida apuração, ela, com seu poder de (de)formação de opinião, faz com que uma série de equívocos seja perpetrada.

Em primeiro lugar, realçando o sentimentalismo em detrimento da lucidez, ela joga um fato que tem uma grande carga de apelo emocional e cria um verdadeiro circo, onde questões como feminismo, xenofobia e doença mental se misturam num samba do crioulo doido (ai, esqueci dos politicamente corretos de plantão, gente!) e quando a verdade aparece, pega todo mundo com as calças na mão.

E faço a mea-culpa também. Apesar da minha desconfiança inicial, que não chegou nem a ser desconfiança porque o emocional tratou de varrê-la da minha cachola, deixei-me levar e, confesso de novo, mais tocada pelo ataque à uma grávida do que por qualquer outro aspecto possível da questão. Não escondo de ninguém que depois da maternidade, virei um coração ambulante nessas questões que envolvem os filhotes de todas as espécies. Ou seja, sou público-alvo neste aspecto como devo ser em tantos outros.

E da mesma forma que me tocou pelo viés de fêmea que sabe a dor e a delícia de ser o que é na arte do padecimento no paraíso, também conhecido como maternidade, a inflamação seguiu adiante na forma de ufanismo - sim, nosso país e povo, tão bons, são tratados como lixo no exterior, quando aqui tratamos tão bem os estrangeiros, somos um povo hospitaleiro por vocação (balela!) -; de militância feminista - como assim? Só porque se trata de uma mulher, ela está sendo desacreditada pelo discurso masculino e machista, no qual a voz da mulher é sempre... blablablá... -, e assim por diante, cada um alardeando seu admirável discurso, de acordo com as crenças e posicionamentos embasados em anos de teorias marxistas, freudianas e que tais, sem contar com uma série de outras espantosas possibilidades, que passavam por elucubradíssimas teorias da conspiração, mas que não chegam à constatação óbvia, mas nem por isso ululante, de que nós, que nos dizemos tão pós-qualquer coisa, tão qualificados a julgar e a entender tudo e todos, especialmente depois do auxílio luxuoso de São Google, somos, na verdade e pelo bem dela, um bando de idiotas teleguiados, que está perdendo, e não é aos poucos, a capacidade crítica.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pelas ruas que andei



Sempre que ando a pé pelo meu bairro ou pelo centro da cidade, tenho a impressão que nós, pedestres, somos as presas e os automóveis, os predadores. Parece que ao motorista o que interessa é seguir adiante e o pedestre é um mero detalhe, um empecilho que, além dos demais veículos, faz com que o seu objetivo, que é chegar a um determinado ponto, seja retardado.

E quando estou do outro lado, dentro do carro, percebo que o pedestre quase sempre tem uma relação de animosidade para com o motorista. Mesmo que este último esteja certo, os olhares de raiva e os xingamentos são constantes. É difícil mesmo encontrar cortesia e respeito de ambos os lados.

Aí é inevitável comparar a falta de respeito para com o pedestre que vejo aqui em Recife com o que já vi em algumas cidades brasileiras e do exterior: basta apenas que o transeunte ponha o pé na faixa a ele destinada para que os automóveis parem. E dessa comparação vem a tristeza de saber o quanto a nossa cidade, que é uma das que mais atrai turistas, especialmente nesta época do ano, está atrasada no que diz respeito à cidadania, ao respeito pelo semelhante e, sim, à educação doméstica.

Aqui as bicicletas andam na contramão, fora da faixa da direita, não respeitam os sinais de trânsito e quando você reclama porque quase foi atropelada por uma, a resposta que recebe foi a que tive que ouvir dia desses: Isso aqui é Brasil, moça. Será que o ciclista pensou que eu era de fora porque eu estava querendo o impossível dele? É péssima a sensação de remar contra a maré o tempo todo, de exigir que as coisas sejam feitas como deveriam e não como é mais fácil ou mais vantajoso para o esperto da vez. Como fazer uma pessoa dessas entender que está errada?

Esse ciclista, além de mal-educado, tem um sentimento bastante negativo com relação ao nosso país. Ao dizer que Isso aqui é Brasil, ele demonstra conformismo e a idéia de que aqui não tem jeito. Quantas vezes nos pegamos falando ou pensando o mesmo? Além, claro, da falta de vontade de mudar, de sair da posição de mais forte e dar a vez a quem está em desvantagem material, neste caso, eu, que era pedestre. E também talvez porque sabe que na próxima esquina ele é quem deve obedecer à lei da selva, e não do trânsito, quando tiver que enfrentar um automóvel ou uma motocicleta.

Tampouco o pedestre é a única vítima da história porque muitas vezes atravessa a rua com o sinal fechado, joga lixo no chão e, mesmo tendo passarelas e faixas à sua disposição, prefere fazer o caminho mais curto a ser otário e perder tempo. Aí, depois que ocorre um acidente no qual o motorista não tenha tido culpa, o que acontece? A população quer linchá-lo. E é neste momento que ele se torna culpado diante da lei: porque fugiu e não prestou socorro à vítima. Você esperaria para ser linchado?

E nisso as coisas fogem do controle mesmo. As leis, por mais bem-intencionadas que sejam, passam a não valer muito diante da distorção a qual nos acostumamos chamar de realidade. E isso cansa.