segunda-feira, 18 de abril de 2011

Diemen



Hoje vou mostrar um tantinho de Diemen, cidade de um pouco mais de 24 mil habitantes e bem próxima de Amsterdam, ao leste. A cidade é dividida em quatro partes: Diemen Noord, onde se localizam o núcleo histórico e um grande bairro residencial moderno; Diemen Centrum (onde moramos); Diemen Zuid, onde se encontram uma grande área residencial do início da década de 80 e um núcleo comercial com muitos edifícios de escritórios. A quarta área comporta as indústrias e a zona rural.

(Clique nas fotos para ampliá-las)



A maioria das fotos que se seguem são de Diemen Centrum, nossa região.

Igreja de Sint Petrus:




Canal visto a partir da DiemerBrug (ponte):




Prédio onde funcionava o correio:




Parte antiga de Diemen:




Interior da biblioteca pública que fica próxima daqui de casa:



Prédio do teatro e cinema também próximo de onde moramos:



E quando precisamos ir à Amsterdam, claro, ele, o bonde 9:




Saindo de onde moramos, depois de três paradas do 9, estamos em Amsterdam. Para o centro, a muvuca, leva uns 15 minutos no total. Eu estou cada vez menos interessada em ir ao centro de Amsterdam, só vou mesmo quando há alguma necessidade. E geralmente para comprar algo, pois o comércio de lá é mais diversificado que o daqui, claro, e, o principal detalhe: as lojas abrem aos domingos, coisa que aqui em Diemen não rola de jeito nenhum. Nas primeiras vezes em que estive aqui, como turista, não queria sair de lá, pois é onde se concentram as lojas, os museus, os pontos turísticos e coisa e tal. Com o tempo, fui cansando das ruas lotadas, do tumulto, da confusão de Amsterdam, coisa de velho, sabem como é.

Mas voltando para Diemen, uma foto da moçada num intervalo de aula (pra ninguém pensar que moramos numa cidade de velho :P):


Inholland studenten Amsterdam/Diemen hebben pauze


Por fim, uma bonita vista da zona rural de Diemen:


Stammerdijk, Diemen, NL

domingo, 17 de abril de 2011

Holanda, o antro de devassidão...






Não se iludam: por trás dessa bela e idílica paisagem holandesa, há toda sorte de depravações e vícios que se possa imaginar! É, a Holanda definitivamente é coisa do demo. Brincadeira minha? Nada! O pior é que muita gente tem essa visão da Nederlândia, tadinha.

Dando uma olhada nos sites de notícias brasileiros, deparei-me com esta nota sobre o ataque de hackers nos semáforos de Nijmegen (no site, a grafia está errada). Deem uma olhada no naipe dos comentários: além da incapacidade de interpretar um texto de um único parágrafo, a maioria dos comentadores demonstra uma visão completamente estereotipada da Holanda.

Certa vez, quando a nossa vinda para cá ainda era um projeto, cheguei a ouvir de uma conhecida que a Holanda não era lugar para criar filhos! Por causa das drogas, que são todas liberadas, da legalização da prostituição e do casamento gay. Uma anta, não? Claro, mas, justiça seja feita, ela representa o senso comum. Para muita gente, a Holanda é isso aí mesmo: zona livre para toda sorte de putaria e consumo livre de drogas.

Não é bem assim. Drogas como maconha, haxixe, algumas espécies de cogumelos, entre outras, são consideradas drogas "leves" (as quais o governo considera como representantes de um risco aceitável para a sociedade) e são toleradas para o consumo, mas o tráfico e a plantação, por exemplo, são proibidos. As drogas "pesadas" (heroína, cocaína etc.) são proibidas.
A diferença, em termos bem prosaicos, é que se a criatura aqui for pega fumando um cigarro de maconha, não vai ser presa nem apanhar da polícia, por exemplo.

Sobre a legalização da união gay, particularmente, considero uma questão de justiça e de direito. Ponto. Nada mais a ser discutido.

Na ocasião, perguntei para a tenaz defendora da moral e dos bons costumes se ela achava mais decente as moças e os rapazes ficarem no meio da rua expostos a todo tipo de violência (policial, inclusive), sem nenhuma assistência. E a resposta qual foi? Nenhuma. Ou melhor, houve: o silêncio, que é sempre o melhor companheiro da hipocrisia.




quinta-feira, 14 de abril de 2011

Das coisas que doem





Hoje soube que a mãe de um coleguinha de classe de Mariana, lá da escola de estrangeiros, foi chamada a conversar com a escola porque seu filho recebeu uma advertência de mau comportamento do meester G. (professor). Durante a conversa, a mãe xingou o professor de homo... Não vejo a hora de a minha filha sair dessa escola...


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ainda sobre a questão da burca








Diante dos comentários sobre o post anterior aqui e no Facebook, gostaria de esclarecer alguns pontos. Baseio meus comentários nos principais argumentos que as pessoas usaram para apoiar a atitude do governo francês: a submissão feminina e a segurança.

Em primeiro lugar, gostaria de dizer, mais uma vez, que os argumentos acima não apoiam a minha opinião: apenas o princípio da reciprocidade me faz ser favorável à decisão do governo francês, como afirmei no post anterior.

Quando alguém diz que a mulher muçulmana é oprimida porque usa véu, burca e demais paramentos, está assumindo, aí sim, uma postura etnocêntrica: colocando a (pseudo) liberdade da mulher ocidental como algo superior e que deve ser copiado simplesmente porque é o melhor que se pode pensar para a mulher. Particularmente, acredito que muitas mulheres muçulmanas talvez não gostem de usá-los, mas e as que gostam? Não acredito que seja por aí. Agora, nesse nível de argumentação, por favor não incluam a estirpação de clitóris (clitoridectomia), o direito de matar para lavar a honra familiar etc. Na minha opinião, são costumes selvagens e primitivos, que devem ser banidos mesmo. Foda-se quem vir etnocentrismo na minha opinião. Qualquer prática que cause dor, mutilação, sofrimento e morte deve ser execrada. Apenas entendo que na questão da burca, usar essas práticas como argumento para levar vantagem na discussão é desonesto. Volto a repetir: a maioria das mulheres muçulmanas não se opõe a usar véu, burca etc. Tem as que não gostam e usam por obrigação? Lógico. Estar sempre magra, maquiada e produzida muitas vezes também não é um fardo? Ora.

Agora, o pior de tudo é justificar a proibição da burca porque ali dentro pode estar um(a) terrorista. Paranóia, medo instigado e cultivado no pós 11 de Setembro para justificar perseguições, pura propaganda coersitiva. O controle pelo medo, bem a cara dos Estados Unidos da América. Pode haver um homem-bomba ali dentro? Claro! Mas, como argumentou uma amiga minha no FB, e um Ronald McDonald, ícone do fast food americano, também não poderia escondê-lo? Menos, menos, pessoal.

Volto a tocar na tecla da reciprocidade. E volto a não entender por que ninguém que é contrário à atitude do governo francês consegue justificar a intolerância muçulmana em exigir que as mulheres ocidentais, em terras de Allah, tenham de se cobrir. Em um fim de semana desses, conheci, em casa de um amigo, uma mulher (brasileira) que mora em Dubai e ouvi dela a agonia que é ter de se lembrar de cobrir os braços, o colo etc. para sair de casa. E logo Dubai, que abre as pernas para os infiéis ocidentais... Pois é.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Intolerância ? - Burca na França








Desde ontem não se fala em outra coisa nos jornais daqui que não seja a prisão das mulheres muçulmanas, as quais desobedeceram à lei que proíbe o uso da burca, na França. Fala-se de intolerância, de desrespeito à liberdade de credo etc. Aqui na Holanda, a população muçulmana é numerosa, e o holandês, basicamente, assume duas posições diante dela: ou se alinha com o político de extrema-direita Geert Wilders ou fica em cima do muro (a maioria), postura esta, aliás, que estou começando a perceber ser uma constante em muitos outros aspectos da vida holandesa.

Já eu acho o seguinte: se na maioria dos países muçulmanos, a mulher ocidental é obrigada a cobrir a cabeça, o colo e os braços, podendo ser vítima de violência física e/ou verbal caso não o faça, por que motivo, então, não deve haver reciprocidade nos países não-muçulmanos? Querem impor as leis em seu país (o que é legítimo), mas não querem obedecer às leis do país que escolheram para viver? Assim é bom. Parece que a tolerância e a diversidade são usadas unilateralmente nesse caso, não?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Flores







Desde que estamos morando os três aqui, tenho retomado um hábito da minha infância presenciado na casa dos meus avós maternos, onde fui criada: comprar flores semanalmente para enfeitar a casa. Minha avó tinha esse costume: todo sábado, a casa era enfeitada por flores, compradas diretamente da banca da florista, na feira.

Não sei por que nunca mantive esse hábito, pois as flores que iam nos vasos, nas minhas casas de então, quando havia, eram presente em datas especiais.

Aqui, resolvi mudar isso porque flores ajudam a dar um colorido no ambiente, alegram e em um lugar onde a maior parte do ano o céu é cinza, qualquer coisa que sirva para espantar essa melancolia é bem-vinda.

Daí que todo sábado, na saída do supermercado, compramos flores com um senhor muito simpático, cujo filho adolescente está sempre ajudando. Sábado passado, compramos tulipas rosas, vermelhas e misturadinhas (amarelas com o centro vermelho), lindas. E as hortênsias já estão aparecendo! Com o início da primavera, a variedade vai aumentar e, com certeza, a casa vai estar mais alegre e colorida.


quinta-feira, 31 de março de 2011

Grande expectativa



Amanhã é dia de desafio, mais um em terras holandesas. Desafio sobretudo para Mariana: será seu primeiro dia na escola permanente, na qual ela estudará nos próximos anos, caso não haja nenhuma mudança de percurso.

Desde novembro do ano passado, ela tem frequentado a escola para crianças estrangeiras (aquela sobre a qual falei rapidamente no post anterior). Pois bem, havendo um domínio relativamente bom do idioma holandês, a criança passa a frequentar, todas as sextas-feiras, a escola onde estudará em definitivo, ficando o resto da semana na escola de estrangeiros, cuja duração chega a um ano.

Amanhã, pela primeira vez, Mariana vai estar em um ambiente onde as crianças do nivel dela (grupo 4, aqui a divisão é por idade) só falam holandês. Medo. Eu e ela. Tentamos amenizar um pouco o tranco indo visitar a escola na semana passada: linda, novinha, super colorida, um mimo e, o melhor, aqui em Diemen, dez minutos de caminhada, cinco de bicicleta. Mariana ficou muito animada, curtiu tudo. Hoje, no café da manhã, falou que estava querendo ir, mas um pouco nervosa. Ô dó do meu pitoco!

Ao mesmo tempo, estou super orgulhosa da criaturinha porque ela já está falando holandês sem pensar, com erros, claro, mas já se comunica bem com estranhos, assiste aos desenhos na TV sem que Paul precise traduzir -- ontem foi uma confusão danada aqui em casa porque ela cismou que quer assistir ao jornal também. E a recomendação da faixa etária é a partir de 12 anos...

Temos nos esforçado bastante para dar suporte com as tarefas da escola. No Brasil, eu era a responsável por isso: tínhamos o horário das tarefinhas, ela já estava bem acostumada. Como aqui a escola é de período integral, fica um pouco cansativo, especialmente porque não temos as mordomias do Brasil: o jantar precisa ser feito e mais aquelas coisinhas que tomam tempo e fôlego. Mas sempre há um espacinho reservado para estudar o que foi visto na escola, tirar dúvidas etc.

Como ainda não domino o idioma, estou sempre com o meu dicionário de lado nas horas de estudo de Mariana. E, sim, hoje, passado o stress do exame de holandês que tive de fazer, vejo que o que aprendi tem me ajudado bastante, sobretudo nesse apoio à Mariana. Não vejo a hora de começar o meu curso de holandês! Até porque preciso acompanhar a criatura, que só quer falar em Nederlands em casa. Inclusive os desaforos...

Bom, ainda quero falar sobre a dificuldade com o idioma, mas, no momento, a minha agonia é com o dia de amanhã! Espero que tudo dê certo. Depois conto o resultado da empreitada.


Update:


Parte 1: apesar de eu ter perdido o sono de madrugada (novidade!), a ida para a escola foi legal. Fomos para a sala dela e a professora foi a que eu simpatizei de cara na homepage da escola, torci para que fosse ela: cara boa, meiga, expressão de professora de criança mesmo. Mariana disse que estava nervosa, mas ficou bem. Às 15h15 vou buscá-la e saberei a Parte 2 da aventura, tomara que ela diga que gostou! Mãe é bicho que sofre e desidrata...

Parte 2: expectactivas superadas! Conversei com a professora e ela disse que, para o primeiro dia, Maricota foi muito bem, além de ser uma criança adorável (queria ouvir a opinião da juf Ely sobre Mariana em piti mode on...). E que não foi nada tímida: perguntou coisas a ela e aos colegas. Ufa.

Eu também estava preocupada porque a maioria dos colegas de classe de Mariana (da outra escola, mesma idade) foi para o grupo 3 nas suas escolas permanentes e a criatura foi para o 4. Logo cedo, a supervisora disse que seria um desafio para ela acompanhar e eu voltei para casa preocupada também com isso. Ao perguntar à Ely sobre essa questão, ela também me tranquilizou dizendo que Mariana acompanhou tudo muito bem, um ótimo início.

No tocante à criatura, já estava toda enturmada: quando botei a cara pálida na porta da classe, as amigas foram logo avisando. E eu morrendo de ansiedade... No caminho de volta, ela me disse que tinha adorado a escola, feito amigos e blablablá. Mãe é mesmo bicho sofredor, desidratado e besta.