terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Bicho de pé






Adoro sandália rasteira e chinelo de dedo bem transadinho. Acho um charme e neste nosso verãozão é tudo de bom. Mas vamos combinar que há de haver o mínimo de distinção para usá-los, não? Arrastar chinelo é coisa de gente sem aprumo e elegância. Nem a minha avó, que faleceu aos 86 anos, arrastava chinelos pela casa. Definitivamente, os tempos são outros...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

As mãos da menina



Numa folha em branco, a menina desenha com lápis de grafite. E ela é tão obstinada... Tem planos já traçados, sabe o começo, o meio e o fim de tudo. Tão diferente de mim, que muitas vezes não sei o que sairá das minhas mãos e muito menos como tudo coube aqui dentro. Comigo as coisas acontecem, chegam de repente e se instalam. Desconfio que com ela, não. A menina desenha retângulos com bonecas dentro, tais quais cartas de baralho. E tem tudo de que necessita por perto: lápis de cor, tesoura, borracha. Seu traço é forte e preciso, difícil de apagar quando ela erra. E ela não gosta de errar. Depois de prontos os desenhos, ela recorta os pequenos retângulos. E me dá um, sorrindo, com a mesma expressão feliz da boneca. E eu, que lia um livro, coloco o recorte numa página passada, com a clara intenção de esquecê-lo. Quem sabe um dia ao reler ou simplesmente que me venha a mão a folheá-lo, a surpresa me traga de volta o frescor da pele dos dedos da menina, o cheiro de camomila dos seus cabelos e me faça lembrar que das minhas mãos ela foi a única certeza que tive.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Aos 45 do segundo tempo...



A vida só volta ao normal segunda-feira, dia 5 de janeiro, respondem os senhores do tempo e do (en)fado diante da nossa total falta de disposição para ócio generalizado. Oi? E desde quando janeiro, mês de férias, veraneio e malemolências, é um mês dado a normalidades? E falando em malemolência, não devemos esquecer que fevereiro será apenas o aquecimento para o ano realmente começar, haja vista os preparativos, que por estas terras mauricéias já começam a se fazer presentes, para o Carnaval, folguedo que vem, ao longo dos tempos, construindo e edificando a nossa identidade nacional. Bunda? Alguém pensou em bunda? E quanto ao resto? E a crise? E o Parque Dona Lindu? E a faixa de Gaza? E o resíduo que a CELPE vai mandar goela abaixo, de um golpe só, sem nem dar tempo ao usuário de fazer uma salivinha pra engolir com menos engasgo? Ora, direis, pare de ver a vida pelo ângulo negativo, pense nas coisas boas que 2009 lhe proporcionará! O mais do mesmo, direi, na mais
perfeita sintonia com a minha desabismada pessoa. Mas isso não me impede de viver, sorrir, cantar (oh, não!, dirão os incréus...), celebrar, sonhar, blablablar e, não me levem a mal, perguntar: afinal, começa quando?

Reforma Ortográfica



A partir do dia 1° de janeiro passado, meu nome, que nunca teve acento circunflexo (nem agudo, prestenção no serviço, portugas!), mas que muita gente insistia em pôr (permanece o acento no infinitivo), passa a dar choque em quem assim o grafar, contrariando essa maravilhosa e útil Reforma Ortográfica. KENIA, hein?

Valeu, André, pela deixa. Algum proveito essa reforma tinha que ter, afinal. ;)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Leite de Cobra in concert






O Leite de Cobra foi uma resolução de ano novo. E hoje faz um ano que ela tomou corpo, depois da insistência de alguns amigos em que eu deveria publicar os textos que escrevia. Para o bem e para o mal, estamos aqui. E como está descrito na apresentação, o blog foi se transformando numa colcha de retalhos, que combina de tudo um pouco e de forma bem despretensiosa.

Como vocês já devem ter percebido, não faço tipo: o que escrevo aqui e a maneira como isso acontece refletem quem sou. E isso levou um tempo para acontecer. Mas aí pensei que se eu tivesse um blog no qual eu não tivesse essa liberdade, seria melhor não tê-lo ou escrever sob pseudônimo. E vejo que foi a escolha certa porque o Leite de Cobra passou a ser uma extensão minha, do meus humores, dos meus altos e baixos, enfim, virou um espaço que me reflete.

E ele também é muito importante para mim porque, além de reunir uma boa parte dos meus amigos, ainda me deu oportunidade de conhecer mais gente, na sua grande maioria, bacana. Claro que tem os babacas do tipo de uma que veio aqui me dizer que eu não deveria escrever palavrões, vocês lembram? Ou então figuras que vêm aqui achando que o Leite de Cobra é um espaço legal para ter o seu blog divulgado, mas não é bom o suficiente para ser divulgado por elas...

Aliás, uma coisa que acho pavorosa é essa barganha de adicionar blogs. Eu não peço isso a ninguém. Acho mesquinho, pobre e chato pra cacete. Eu, Kenia, adiciono blogs porque gosto e não quero nada em troca. Se quiser linkar o Leite, beleza, se não...

E sobre o conteúdo, é isso aí. Não tenho nenhuma obrigação social, filosófica ou metafísica de ser politicamente correta. Ponto. Tem ótimos blogs que fazem isso. E eu até posso escrever sobre temas dessa natureza, como já fiz várias vezes, mas sem bandeiras e panfletagens porque isso enche o saco. Repito, quero ter a liberdade de fazer o que me der na telha. E vou continuar em 2009 a falar bobagem, a mostrar os Bofes e Barangas of the week, a escrever textos que, segundo vocês, parecem poesia, a me emputecer com um monte de coisas, a destilar mau humor, a acordar feliz e compartilhar isso com vocês, seja através do humor ácido, seja através de um lirismo piegas. Sabem por quê? Porque sou assim. E pra gostar de mim é preciso gostar das minhas incoerências. Tenho muitos defeitos, mas dentre eles ninguém pode me acusar de hipócrita. Por isso não modero comentários, por isso não comento nos blogs alheios por obrigação, como quem paga pedágio. Por isso que o Leite de Cobra ainda me dá prazer e eu sinto falta quando não escrevo, nem que seja uma leseira qualquer. E vai ser assim até o dia em que esse sentimento durar.

Obrigada a vocês pela amizade. Obrigada por aceitarem meus altos e baixos. Obrigada pela paciência em me aturar. Obrigada por não esperarem de mim o que eu não sou e, principalmente, obrigada por acreditarem em tudo o que escrevo, coisa que nem sempre acontece comigo.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Recall Betty Faria



Quando eu falo que não agüento mais essa agonia toda em função das festas de fim de ano, vocês pensam que é pura chatice - e é mesmo, sou chata assumida, não disfarço. Além das frases feitas, dos mesmos programas que se repetem ano após ano, o ser humano ainda tem que se empanturrar de comidas que, não fosse o furor da época, não seriam nada atraentes: quem, em sã consciência, se entupiria de farofa e salpicão por livre e espontânea vontade? Fora o que vai ter de neguinho correndo atrás de laxante porque, vamos combinar, as fibras ficam longe dos pratos típicos, né? E pra provar o que digo, depois de uma voltinha básica na net, decidi fazer o Recall Betty Faria. Observem a decadência de alguns ex-Bofe of the week e pensem duas vezes antes de dar vazão ao Alien que existe dentro de vocês neste finalzinho de ano.


Daniel Craig





George Clooney





Jude Law





Christopher Meloni





Nem sinal de Betty na área...

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Na mesma



Vou dizer uma coisa: já não agüento mais o limbo em que a existência se transformou e isso vai até a próxima segunda, dia 5 de janeiro. Não sei vocês, mas as indefectíveis Como foi de Natal? e Onde vai passar a virada? já estão ficando sem resposta. Como diria Kátia, a cega, não está sendo fácil...
Que venha logo 2009 e parem de encher o saco!