
O Leite de Cobra foi uma resolução de ano novo. E hoje faz um ano que ela tomou corpo, depois da insistência de alguns amigos em que eu deveria publicar os textos que escrevia. Para o bem e para o mal, estamos aqui. E como está descrito na apresentação, o blog foi se transformando numa colcha de retalhos, que combina de tudo um pouco e de forma bem despretensiosa.
Como vocês já devem ter percebido, não faço tipo: o que escrevo aqui e a maneira como isso acontece refletem quem sou. E isso levou um tempo para acontecer. Mas aí pensei que se eu tivesse um blog no qual eu não tivesse essa liberdade, seria melhor não tê-lo ou escrever sob pseudônimo. E vejo que foi a escolha certa porque o Leite de Cobra passou a ser uma extensão minha, do meus humores, dos meus altos e baixos, enfim, virou um espaço que me reflete.
E ele também é muito importante para mim porque, além de reunir uma boa parte dos meus amigos, ainda me deu oportunidade de conhecer mais gente, na sua grande maioria, bacana. Claro que tem os babacas do tipo de uma que veio aqui me dizer que eu não deveria escrever palavrões, vocês lembram? Ou então figuras que vêm aqui achando que o Leite de Cobra é um espaço legal para ter o seu blog divulgado, mas não é bom o suficiente para ser divulgado por elas...
Aliás, uma coisa que acho pavorosa é essa barganha de adicionar blogs. Eu não peço isso a ninguém. Acho mesquinho, pobre e chato pra cacete. Eu, Kenia, adiciono blogs porque gosto e não quero nada em troca. Se quiser linkar o Leite, beleza, se não...
E sobre o conteúdo, é isso aí. Não tenho nenhuma obrigação social, filosófica ou metafísica de ser politicamente correta. Ponto. Tem ótimos blogs que fazem isso. E eu até posso escrever sobre temas dessa natureza, como já fiz várias vezes, mas sem bandeiras e panfletagens porque isso enche o saco. Repito, quero ter a liberdade de fazer o que me der na telha. E vou continuar em 2009 a falar bobagem, a mostrar os Bofes e Barangas of the week, a escrever textos que, segundo vocês, parecem poesia, a me emputecer com um monte de coisas, a destilar mau humor, a acordar feliz e compartilhar isso com vocês, seja através do humor ácido, seja através de um lirismo piegas. Sabem por quê? Porque sou assim. E pra gostar de mim é preciso gostar das minhas incoerências. Tenho muitos defeitos, mas dentre eles ninguém pode me acusar de hipócrita. Por isso não modero comentários, por isso não comento nos blogs alheios por obrigação, como quem paga pedágio. Por isso que o Leite de Cobra ainda me dá prazer e eu sinto falta quando não escrevo, nem que seja uma leseira qualquer. E vai ser assim até o dia em que esse sentimento durar.
Obrigada a vocês pela amizade. Obrigada por aceitarem meus altos e baixos. Obrigada pela paciência em me aturar. Obrigada por não esperarem de mim o que eu não sou e, principalmente, obrigada por acreditarem em tudo o que escrevo, coisa que nem sempre acontece comigo.