quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Chorinho

Não se ressinta se eu te abraçar e disser chore não...
Isso não significa que o seu pranto me incomoda ou que eu o ache desnecessário
É que aprendi a ser consolada assim
Sentia nessas duas palavras o conforto e a cumplicidade que tento lhe dar agora
Encarar o choro alheio deixa muitos sem ação, incomodados, sem saber onde pôr as mãos.
A mim não, que quando choro limpo a casa, higienizo as feridas
E chamo o sono
Quando alguém chora perto de mim
Sinto-me escolhida e agradeço
Porque sei que chorar assim é como se despir na frente de um estranho
Que muitas vezes não está ali querendo isso
Nessas horas, eu choro junto
Num soluço uno, profundo e sentido
Choro por você, choro por mim, choro por tudo
Sem receio daqueles instantes seguintes em que limpamos os olhos, o nariz e a garganta
Fazendo de conta que zerou
E voltamos à secura dos dias
Cheios de prazos e decisões urgentes e necessárias,
Mas tão sozinhos no desamparo das horas que sobram quietas
Sem nada a dizer ou fazer

9 comentários:

Anônimo disse...

O texto foi "de fazer chorar", no mais emocionante dos sentidos...
=~)

Aline Tavares

Anônimo disse...

É incrível a sua sensibilidade...
Atrevo-me a tirar o "como" da frase e dizer:
Chorar é se despir na frente de um estranho!
Não foi à toa que me identifiquei com vc há dez anos!
bj
R.

Anônimo disse...

Mais um texto belíssimo,sensível e com a capacidade de dizer o q a gente sente mas não sabe como falar.

Bjos e []s

Ivette Góis

Nora Borges disse...

eu volto.

Clarice M. disse...

ô, eu bem tava precisando de abraço e ouvir "chore não..."

Luciana Farias disse...

Bom, ultimamente ando chorona por tudo e por todos, rsrsrsrs...

Lindo texto, querida!!!

Beijocas...

Coronel Yanossauro disse...

Estás viranto poetisa, Madama. Virando mesmo.
Daqui a pouco, o livro que sonhávamos que publicarias ao invés de livro de crônicas terá se tornado livro misto, de crônica e poesia, de lição e de vida, de choro e de alegria.
Livro de mulher madura, séria, determinada, esculhambante e esculhambada, mas acima de tudo mulher. Viva, pulsante e escrevente.
Amiga.
E, como Claurice comentou a pouco, tem dias que bem que eu gostaria de ouvir um "chore não..."

Coronel Yanossauro disse...
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Kenia Mello disse...

Ah, Coroné, você nem suspeita dos bichos em que me viro... Hehehe
Agora, mulher esculhambada é a tua sogra, visse? :P