segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Certezas de rio






Deixar-se ir
com desapego de rio:
vento, chuva, dia e céu estrelado, os únicos haveres,
seus despertences.
Deixar-se ir
em plácida rota ou desordenadamente,
à mercê de correntezas várias,
ou como for possível,
quem saberá a próxima esquina?
Deixar-se ir
com tal serenidade que pareça calculada e pontual –
mal saberão, os outros, a que custo...
Deixar-se ir
quando tudo o mais já estiver cumprido,
perfeito em sua primeira e mais remota acepção.
Deixar-se ir
mesmo que haja motivos, resoluções e contas a pagar.
Deixar-se ir,
pois a perdição se nos apossa por excessiva vigília ao insondável,
aumento dado às suas garras e aos seus tentáculos.
Deixar-se ir
porque, afinal,
ah, trem de passagem...
E entre um respiro e outro,
tudo é pouso de passarinho,
certeza de rio,
que na sua grandeza,
segue exatamente o devido e mesmo curso,
em eterno recomeço e sábio esquecimento.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ígnea natureza






Fogo
elemento
pequena candeia ou indômita chama
língua de fogo
perfilada ou em agônico desmantelo sinuoso
Marte, deus da guerra
Ariano destino de cascos que trincam o chão
em estrondo e posse
o poder que emana da luz hipnótica
e do calor escaldante
Fogo
magma que arrasta tudo ao redor
em grossos e lentos borbotões
fúria
ímpeto
queimadura
dor profunda
aguda
Fogo
que tudo consome
desfigura
dizima
beijo feroz e sôfrego
dança de saias negras e rubras,
convulsivas, orgásticas
carmesim
brutal natureza
alimentada por alvas mãos vestais
E quando, por fim, verte-se
em punhados de cinza
O que era labareda
agora é fogo manso
morto
fátuo
brasas esmorecidas:
os seus despojos
Fogo
ele que tudo assola, inclemente,
também purifica e emprenha
e das somas elementares
surge a vida, clandestinamente,
pelas frestas,
sorrateira,
a mais divina e estrangeira das contradições.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009






vencidas,
secas e emboloradas,
humildemente esperam o vento
ou pés que lhes esfacelem.
derramadas sobre as pedras do chão, que lhes negam a seiva e alguma misericórdia,
apenas sorriem para o destino inevitável, espalmadas como uma renúncia.
nenhuma inquietação ou medo,
qualquer dúvida que seja – nada.
apenas o tempo de mais uma estação roçando-as levemente,
um ciclo que se perfaz depois de outros.
tudo que resta desejar quando o fim nos espreita: cumprir-se.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Curtinhas



Quase dezembro e o negócio aqui está desregulado: chuva à noite, madrugada e/ou manhã, vento frio e... calor de rachar durante quase todo o dia. Hoje precisei sair no começo da tarde, com o sol de fritar a moleira. Resultado: depois de entrar no ar-condicionado, a dor de cabeça começou a dar sinal de vida. Agora estou com calafrios. Evito o ar e o ventilador e sinto calor, exponho-me a eles, tremo. Ai, lugarzinho de corno.

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Gente mal-educada se reproduz igual a coelho, é impressionante.

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CPG em rebuliço com a possível admissão de um novo membro. Sábado, reunião geral. Cla, mande procuração que o assunto é sério. Por motivo de segurança, o local não será divulgado.

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Ivette, você estava com saudade de mim, flor? Fique não, nem eu ando suportando a minha presença morena.

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Em véspera do Natal e eu querendo os cheiros de junho.

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Hoje descobri que deixar as coisas para depois pode ser uma grande fonte de prazer, a tal procrastinação, uma verdadeira ciência. Em se tratando da minha pessoa, um ato de subversão.

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Sinto-me uma farsa ensinando o trema à Mariana, mas não resisto, não me acostumo com o sumiço, é uma verdadeira aberração.

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Asilo político para assassino e terrorista (de esquerda, então tá...), festa e carro oficial para fundamentalista que nega o Holocausto e os direitos das mulheres e dos homossexuais, a quase certa inclusão da Venezuela no Mercosul, a Argentina, também no Mercosul, cagando na nossa cabeça, como sempre. Brasil, o país do futuro. Negro.

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Estou com cistos no ovário direito. Minha médica mandou tomar três cartelas de anticoncepcional ininterruptamente. Três meses sem menstruar. Life is really good.

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sexta-feira, 20 de novembro de 2009






Sinto falta de tantas coisas, mas, especialmente, da minha vida, a que eu tinha. Antes, quando eu achava que não sabia mais viver sozinha. Eu sei, e isso não me traz orgulho algum. Bastar-se é o caminho mais certo para o embrutecimento: as coisas existem, esbarram-se doídas dentro de mim, mas não me desaguam. Tempos difíceis estes de não sentir, o embrutecimento.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009





domingo, 15 de novembro de 2009

Piada local