segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Preconceito às avessas

É interessante a questão do preconceito e observá-lo no nível do discurso, mais ainda, especialmente quando ele diz respeito à aparência das pessoas.
Muita gente usa o eufemismo para camuflar o próprio preconceito e aí a emenda sai sempre pior que o soneto: por exemplo, chamar uma pessoa negra de morena é o fim da picada!

Por outro lado, ser chamado de negro pejorativamente bem como qualquer outro xingamento que aluda à cor da pele é crime, dá cadeia e quanto a isso não há nada que se diga a não ser que é a coisa certa a ser feita. Discriminação é crime!

No entanto, a via não deveria ser de mão única. Nunca vi ou ouvir mencionar na mídia ou entre as pessoas com as quais convivo que alguém tenha sido xingado de branquelo, sem sangue, prato de papa e afins e alguma atitude punitiva tenha sido tomada. Eu mesma já fui xingada de macaxeira descascada e achei originalíssimo! Mas poderia ter ficado ofendida. E daí? Teria alguma jurisprudência nesse caso? Seria legítimo acusar quem me xingou de criminoso? Porque isso é racismo, sim! E não venham me falar dos séculos de opressão e blablablá. Bullshit. Preconceito não se combate com preconceito. Menos hipocrisia e paternalismo, sim?

Outro aspecto ainda relacionado ao preconceito estético que tenho observado há algum tempo tem a ver com a gordura. Ser gordo hoje virou sinônimo de ser desleixado, largado e por aí vai. A maioria olha uma pessoa gorda de viés, como se ela fosse culpada por ocupar espaço demais no mundo, de comer mais - por gula!-, por não se
cuidar etc. Só que poucas pessoas param para pensar que, primeiro, a pessoa pode estar gorda por alguma disfunção metabólica; segundo, porque ela gosta de comer e beber bem, sente-se feliz como é, relaciona-se bem com o(a) companheiro(a), olha-se no espelho e se vê sexy. And so what? E, terceiro, que uma pessoa dessas pode estar na batalha por voltar ao peso anterior ou tentando atingir um que nunca tenha tido, mas que gostaria de experimentar por questões de saúde ou mesmo estéticas, por que não?

Enfim, as pessoas não devem ser rotuladas por critérios tão mesquinhos e reducionistas. Simples e muito clichê esse meu papo, é verdade. Mas também nesse caso tenho notado que o outro lado existe e bate muito ponto! Pessoas magras também são hostilizadas com adjetivos como anorética, doente, magrela e outros, que estão sempre na ponta da língua. Claro que a questão é muito mais complexa, envolve distúrbios alimentares, uma indústria da beleza que incute padrões inatingíveis e que causa tanto sofrimento físico e psicológico. O que acho esquisito mesmo é ver que muita gente que defende a não submissão a esse padrão de beleza escravizante hostilizar, xingar e ridicularizar pessoas que, na sua opinião, estão magras demais, doentes demais, enfim, aquelas magrelas, sabem? Não seria isso um preconceito às avessas? Ou seria despeito, insatisfação com a sua própria condição física disfarçada de ativismo? Um bom ponto pra ser pensar...

6 comentários:

Coronel Yanossauro disse...

Madama,
Continuando com a lista dos eufemismos ridículos, quero lembrar que odeio quando, do alto dos meus 140kg, sou chamado de "forte". Forte é o nojo que sinto por quem me chama assim! Eu sou é gordo, sim! E com muito orgulho! Gordo do jeito que você descreveu em seu texto, de uma maneira tão legal e bonita que eu não poderia tê-lo dito melhor!
Quanto ao tal do "preconceito às avessas", que eu tambem já ouvi chamar de "preconceito positivo" e "preconceito branco", tem coisa mais ridícula que a personagem da novela que diz que "só casa com negro", ou aquelas pessoas que preferem empregar negros, judeus, índios, e um longo etc. "só por que os coitadinhos são tão desprezados"? Homi, vão arruamr o que fazer!
Beijão e muito obrigado, Kenia, faz tempo que eu precisava ler algo assim!

Anônimo disse...

Pois é... é pra se pensar mesmo!
Assino embaixo!
Chamar negro de moreno é pra se lascar!
Muito antes de toda essa polêmica e favoritismo "nada a ver" eu sempre chamei negro de negro sem nenhuma supervalorização ou depreciação. Simplesmente negro, ué! É lindo!
E gostei da macaxeira descascada aauhauhaahaha
Foi mal, quem disse isso foi por pura inveja pois vc pode se dar ao luxo de ter a cor que quiser... bem, menos, menos:P
Mas eu digo com Gisele (tu sabe, namorada de Beto) é assim:
- Onde tu comprássi essa meia tão branca? :)
E ela responde:
- no mesmo lugar dessa sua bege rssss
bjão

Repórter Bacurau disse...

Macaxeira descascada é gréa! Hehehhehe

Quem é muito mago, eu costumo chamar de filé de borboleta!

Gláucio Almeida disse...

Pois é, existe muita hipocrisia.

Atualmente tô mais branco que macaxeira descascada... kkkkkkkk

Beijos

Anônimo disse...

preconceito é um assunto muito amplo e com muitas implicações.Mas sem dúvida q chamr um negro de moreno é uma coisa idiota mesmo.
E o preconceito como forma de combate é pior ainda.Melhor nessas horas é mesmo ficar calado.rsrsrs

Bjos e []s

Ivette Góis

Rocio disse...

Os preconceitos aparecem não só no Brasil mas no mundo inteiro. As pessoas têm preconceitos para coisas diferentes. No Brasil, morenas mulheres morenas preconceitos, mas também têm preconceitos sobre si mesmos, porque eles fazem alisamento com pranchas e outras coisas para olhar diferente.