sexta-feira, 27 de junho de 2008

Preconceito - Conte a sua história



Kenia,nunca fui vítima de preconceito racial porque tenho a pele e os cabelos claros (agora branco mesmo) mas fui vítima de preconceito social.
Vim de uma família muito pobre mesmo.Pra você ter uma idéia,nosso pai (somos em sete) não tinha sequer dinheiro para nos comprar sandálias de tiras,mas fez questão que todos os seus filhos fossem para a escola.Não conto as vezes em que fui descalça ou com sapatos maiores que os meus pés ou furados. Mas consegui concluir meus estudos e em seguida fui morar com uma tia que tinha melhores condições financeiras e assim pude entrar na universidade e concluir o curso de Pedagogia.Mas em troca dessa possibilidade,quase todo o serviço doméstico ficava ao meu encargo,muitas vezes só conseguia estudar e fazer os trabalhos do curso de madrugada.Mas o importante é que consegui.
No fim do meu curso,conheci um rapaz que se tornou o pai dos meus filhos. O que poderia ser uma história de amor como outra qualquer,se tornou um verdadeiro inferno porque o rapaz pertencia a uma familia tradiconal da cidade que jamais admitiu que uma moça pobre fosse a escolhida pelo filho.Mesmo eu tendo todas as qualidades que muitas vezes as moças do seu nível social não tinham,fui rejeitada.Até dinheiro para sair da cidade me ofereceram.
Quando perceberam que não adiantava,fingiram aceitar a minha presença e aí eu acho que veio a pior parte:fui humilhada,a cada oportunidade faziam questão (minhas cunhadas e sogra) de mostrar como eu não pertencia,como destoava daquele meio.
Depois que nos casamos,poucos familiares nos visitavam espontaneamente e aí vi quem realmente gostava de mim.
Passaram-se muitos anos, vieram os filhos e os netos. Nosso casamento acabou pelos desgastes naturais que muitas relações passam.
Não posso dizer que perdoei todas as humilhações,indiretas e brincadeiras de mal gosto,por mais que você viva,cresça e amadureça,certas feridas vez por outra reabrem com muita intensidade.Hoje consigo conviver com alguns parentes que me hostilizaram,muitos deles hoje falidos,com problemas de saúde física e mental,em um caso dependendo apenas de mim e dos meus filhos para ter notícias do mundo.Não me vanglorio disso,mas a vida dá voltas. Ser vítima de preconceito é horrível.E o preconceito social é uma das faces mais terríveis porque ele pode ser disfarçado e muito bem.


De Ivette Góis via email.

Você já foi vítima de preconceito?

17 comentários:

Anônimo disse...

Em outras versões, infelizmente milhares de pessoas têm experimentado essa rejeição que a Ivete vivenciou; comigo, foi quando me divorciei e o "respeito"(leia-se babação e amizade conveniente) que havia pelo casal,escoou pelo ralo. Mas isso só nos faz crescer e amadurecer - claro que aos trancos e barrancos - mas ao final nos fortalece.
Congratulo-me com sua amiga que não se deixou impressionar por falsos valores.
bjos
Regina

Pernambucobebendoparaomundo disse...

Já vi pessoas correndo desesperadas, com medo do hippie aqui;
Sou pobre e estudei em colégio de burguês;
Fui sindicalista...

A palavra zshyb

Pernambucobebendoparaomundo disse...

esqueci de dizer que sou funcionário publico, e que estudei no CFCH


meyoqbs

Kenia Mello disse...

Eita, estudou no CFCH, foi? Aquilo
ali é um antro de maconheiro. Por coincidência, também estudei lá. Hehehe

Anônimo disse...

sou mulher e homossexual numa família nordestina, machista e preconceituosa a qual sabe da minha condição mas prefere fazer de conta que não, assim é mais conveniente.
Mesmo assim qdo a família se reune ainda fazem questão de perguntar qdo caso, qq dia desses digo q já estou só falta oficializar na California. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Pernambucobebendoparaomundo disse...

"Eita, estudou no CFCH, foi? Aquilo
ali é um antro de maconheiro. Por coincidência, também estudei lá. Hehehe"

Maconheiro não, maconhista, maconheiro é o pé :p

a palavrinha foi jkqikc

Anônimo disse...

É incrível como essa questão do preconceito ainda está camuflada na sociedade.
É o preconceito social, racial, sexual... Todos acobertados por um falso moralismo idiota!

Filipa disse...

Todos nós de uma forma ou outra já sofremos o preconceito. No meu caso racial não ( tenho os padroes exigidos pelos Europeus e até pelos arianos :))), mas já fui vitima de preconceito, sobretudo social. Sou natural de uma pequena vila, a 30 Km de Lisboa. Quando fui estudar para Lisboa, e dizia de onde era, por vezes fui apelidada de "saloia" , que no Brasil será uma especie de "brega". Contudo, cresci numa casa grande, era independente e tinha um bom carro. A minha familia nao era rica, mas viviamos bem. Depois era apelidada de saloiinha ,mas de forma carinhosa! Nunca neguei as minhas origens. Nunca negarei. Sou do campo, sim. Tradicionalista, não sou nem nunca serei uma mulher urbana. Detesto cidades e sempre me recusei a trabalhar lá, por melhores que fossem as condições. Sou feliz aqui. No campo. Na terrinha. Tenho orgulho de aqui ter crescido, ter vivido. E é aqui que educarei a minha filha. Tenho dito.
Ah, já me esquecia... A minha vilazinha natal chama-se Arranhó, concelho de Arruda dos Vinhos, a meia hora de Lisboa!!
~Beijo K.

DJ disse...

Sim, já fui vítima e também já fui responsável por preconceitos.
Já fui vítima de preconceito pelos ideais que defendi, pela transparência com que ajo e que não agrada a muita gente, e pelo facto de sempre ter procurado conquistar as minhas coisas, em vez de bajular os outros e fingir-me amigo deles para conseguir o que tanto queria. Sim, já perdi muito por ser transparente. Mas também ganhei-me muito enquanto pessoa e hoje se sou o que sou devo-o a tudo o que passei.

Sim, já fui preconceituoso com terceiros. E quem nunca o foi, mente. Já fui preconceituoso com portugueses, com brasileiros, com pretos, com brancos, com mulheres, com homens, com gays, etc. Já fui preconceituoso um sem número de vezes pelos motivos mais fúteis, ou pela falta deles. Já fui preconceituoso porque me apeteceu. Isso não me fez ganhar grande coisa, mas fez-me perceber que recorrer ao preconceito não é a melhor forma de se ser justo. Ao mesmo tempo, negar que já se foi preconceituoso uma vez que fosse, não ajuda em nada a tornar-nos mais justos. Pelo contrário: quando não aceitamos que somos preconceituosos com o que quer que seja, corremos um risco enorme de nos vitimizarmos quando somos nós alvo dos mesmos.

Beijo!

P.S.: Boa história de vida da Ivette! Grande mulher!

Expedito Paz disse...

Já sofri preconceito por ser gordo, por ser branco, por ser filho de nordestino, mas também já fui preconceituoso com outras pessoas por razões das mais diversas.

E há oito anos tenho um relacionamento com uma pessoa de cor e origem social diferente da minha, que de tanto stress acabou causando meu afastamento do resto da família, que nunca engoliu a história.

O detalhe: atualmente eu estou desempregado, enquanto minha noiva/esposa é funcionária pública federal, e concursada. A vida dá voltas...

Expedito Paz disse...

Ah, explicando: meus pais são nordestinos (de Exu, a terra de Luiz Gonzaga), mas eu nasci em São Paulo, e vivi até os 16 anos lá. Meus pais (trazendo a mim e a meu irmão junto) voltaram pro Nordeste em 1993.

Bruno disse...

Não se escolhe ser preconceituoso. A razão vem depois dos sentimentos. O que constrói os preconceitos é que é relevante tentar descobrir para tentar eliminá-los em gerações futuras. Minha filha estuda desde pequena junto com meninos negros, cujos pais são do grupo de amigos dos pais dela. Essa última condição é que faz a diferença, pois tive colegas negros na infância (um ou dois, no máximo), mas eles eram mais pobres.
Abraços.
Bruno

Sweet! disse...

Resposta: sim, eu já fui vítima de preconceito. Social e, creio eu, racial. Prumode sou preta, não é. Não, de fato ñ sou preta, sou morena mais para índia. Recebi algumas pessoas aqui em casa. Um povo chique, sacumé? Mas um povo chulé. Sou muito simples. Tenho um excelente emprego, tenho um corolla, nunca fui prá Europa, mas enfim, tenho um pau prá dar numa cachorra, pequeno mas tenho. Fizemos um festão para esse povo que chegou aqui. Um bando de coroa feio, ricaço, contudo gente chulé. Gosto de receber de uma forma aconchegante, ñ sei ser diferente. Inclusive uma das criaturas q estava aqui vive nas colunas sociais pernambucanas, mas ñ preciso dizer quem é, porque sou educadinha. Enfim. Estou servindo as pessoas (porque tenho empregada mas odeio escravidão, nunca obriguei minha empregada, que trabalha comigo a 14 anos, a ficar até de madrugada aqui em casa servindo), tranquila, muito bem obrigada, daí que a velhota (a tal da coluna social) virou-se para mim perguntando "você mora aqui?"
Acreditam? A criatura pensou que eu era empregada.

Como mulher que trabalha, acho q sofro preconceito. Não segui uma carreira tipicamente feminina, digamos. Sou uma técnica, da área de informática, querendo sair da área, agora q me formei em Direito. É um ambiente onde há muito machismo. Na área jurídica, ainda, pelo pouco que percebi, parece q a coisa é bem pior: infelizmente as pessoas acham em geral q as mulheres precisam ter dotes "outros" para obter êxito na profissão. O pior é que muitas mulheres dessa área dançam conforme esta música. É uma boa duma merda.

Bjokas.

jcjunior disse...

Eita!
Eu também estudei no "antro" do CFCH. Estudei no 10º. andar, de 1979 a 1982. Fiz História.
Bem, quanto a ter sofrido preconceito, isso aconteceu muito na década de setenta, quando meus pais se separaram. Havia vizinhos que não deixavam os filhos brincarem com a gente porque a gente era filho de "mulher separada". Cansei de escutar essas coisas quando tinha meus 11, ou 12 anos...
O engraçado foi saber depois que justamente uma dessas pessoas tinha um "cacho" fora de casa...
Mai num é laska?

Anônimo disse...

Eu já fui vítima de preconceitos (é, no plural mesmo) por diversos motivos e nas mais diversas idades. Minas é uma terra inacreditável nesse particular...
Um colunista da alta sociedade que, em geral é uma pessoa tão superficial quanto seus entrevistados, resumiu isso na única frase com algum sentido que disse até hoje: "em Minas, o que existe de mais importante é o sobrenome". Inclusive na classe média, que é conservadora por natureza.
Eu tenho um dos sobrenomes que ocupam o maior número de páginas do catálogo telefônico. Sou liberal ao extremo. Pratico esse comportamento que gera reações em contrário, via de regra. Convivo com os "maconhistas", homossexuais, negros, amarelos e quem mais for gente boa.
Pessoas como eu, não cavam empregos. Batalham por tudo. Muitas vezes, são toleradas pelos parentes na casa de amigos que dependem de nós por vários motivos, principalmente o uso de alguns neurônios a mais.
O mesmo se repete nos ambientes de trabalho, quaisquer que sejam eles.

Os sorrisos e a amizade gratuita? Esses são raros, pedras que são lapidadas por toda uma vida. Sou pessoa de cultiva amigos que me acompanham há décadas. E que faz tudo o que enfrento valer a pena.

Repórter Bacurau disse...

Só faltou Gio dizer que era frango e burro-negro (o que dá no mesmo)... hehehe

Kenia Mello disse...

Esse povo quando leva uma lapada de algum rubro-negro, mesmo não sendo o Campeão da Copa Brasil de 2008, fica todo destemperado, alterado, despeitado, mal-amado... Ui, Barbie Girl! Hehehe