sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Blogagem Coletiva: Semana Mundial da Amamentação






Inicia-se hoje a Semana Mundial da Amamentação - 1º a 7 de agosto. Aproveito para contar para vocês como foi a experiência de amamentar minha filha, hoje com 4 anos e oito meses.

Amamentei Mariana até 1 ano e três meses, mesmo ela já comendo tudo. E só parei nessa época porque fui forçada: tive uma crise séria de hérnia de disco e, sendo a medicação muito forte, fui aconselhada a parar, pois as substâncias passariam todas para minha filha.

Enfrentei algumas barras para amamentar e se não fosse tão tinhosa, teria desculpas lógicas e aceitáveis para fazê-lo.
Ao contrário de muitas mães, fui muito feliz porque não sofri com ferimentos ou rachaduras nos mamilos. Tive um certo desconforto no começo, lembro só de um pequeno corte, mas deu para agüentar firme e em uma semana tudo já estava muito bem.

Muito do que aprendi sobre esses primeiros dias foi com as enfermeiras do aleitamento do hospital onde Mariana nasceu.
Desde que minha filha me foi entregue, a equipe veio várias vezes, orientando, estimulando, indicando a posição correta, porque o seio só fica ferido se a pegada estiver errada. Essa ajuda foi fundamental.

Até o terceiro mês de vida, Mariana ganhou peso normalmente, mamando em livre demanda e exclusivamente. Do quarto mês em diante, ela começou a ganhar pouco peso.
Após algumas tentativas de introduzir frutas e papinhas salgadas, além do meu leite, claro, a pediatra aventou a possibilidade de uma alergia alimentar.

Ainda tentamos algumas introduções alimentares nos meses seguintes, mas nada fazia com que Mariana tivesse um ganho significativo de peso. Nunca perdeu, mas não engordava o que normalmente uma criança nessa idade engorda.
Foi aí que ela me indicou uma especialista no assunto e lá fomos nós confirmar que Mariana era realmente alérgica à proteína do leite, a caseína.

Aí seria a segunda oportunidade justificada para o desmame. A primeira eu já tinha que era o desestímulo de algumas criaturas sensibilíssimas que viviam dizendo que Mariana não engordava porque meu leite era fraco! Um absurdo, pois nenhum leite materno é fraco: levei essa questão para a pediatra de Mariana e ela me esclareceu que isso é balela, o que acontece é que existem leites maternos mais ou menos calóricos. Que culpa tenho eu de ser light até nisso? Nessas horas, o melhor é sair pela tangente do humor mesmo...

Voltando ao segundo motivo aceitável para parar de amamentar, quando a gastro constatou a alergia, colocou-me completamente à vontade para o desmame.
Eu insisti numa segunda possibilidade. Porque sempre há, não para tudo, mas nesse caso havia: ela me disse que se eu quisesse continuar, teria de cortar TUDO que contivesse leite da minha alimentação. E foi o que eu fiz.
Em pouco tempo, transformei-me numa especialista em rótulos de alimentos, uma farejadora de rastros de leite em qualquer coisa que via pela frente, fosse para meu consumo ou para o da minha filha.

E isso foi um tremendo sacrifíco porque adoro laticínios, especialmente os queijos e iogurtes... Meu café da manhã ficou reduzidíssimo, mas tudo por uma boa causa.
Sem contar que depois de estar sob uma privação dessas, você percebe que tudo que é bom leva leite... Ó vida, ó céus.
O meu consolo era saber que para Mariana seria bem mais fácil porque ela ainda não conhecia as deliciosas tentações que são brigadeiros, sorvetes, pizzas e afins. Já eu passei a sonhar com essas coisas...

Depois notei como a indústria brasileira ainda é pobre na oferta de produtos que atendam à demanda de pessoas que, como nós, estávamos nessa situação. Aqui em Pernambuco então a coisa complicava. Amigas que moram no Sul e no Sudeste tinham mais produtos à disposição. Vaguei por todos os supermercados daqui à procura de um iogurte de soja e nada. Lembro que na época só tinha sorvete de maçã e soja de uma marca pioneira em bebidas à base de soja. E era delicioso! Até hoje de vez em quando tomamos.

Com quase 2 anos Mariana superou a alergia e hoje come tudo, inclusive laticínios, normalmente. E acho que saiu a mim: adora queijinho e iogurte.

Tenho certeza de que tudo que passamos valeu. Não ter desistido de amamentar minha filha fez muita diferença! Ela, por exemplo, nunca teve uma diarréia, que é um dos muitos benefícios da amamentação: intestino funcionando como um reloginho!
É isso aí. Para as leitoras do Leite de Cobra que pretendem ser mães, uma grande dica: amamentem muito. Além de tudo, ajuda a voltar à forma que é uma beleza. Experiência própria!

5 comentários:

Pernambucobebendoparaomundo disse...

2 ANOS, 3 MESES E 26 DIAS, é o tempo que Danton, mamou...


E ainda não parou :D


vfkfa

Cris Mirna disse...

Kenia,
Espero ter mais sorte nessa 2a gestacao, pois infelizmente nao consegui amamentar como seria necessário. Sofri muito! Tive depressão pos parto e foi uma barra no inicio. O peito quase se desmanchou e eu chorava de morrer quando amamentava. Ou seja, nao dava para continuar, parei com 40 dias. Estou certa que será diferente dessa vez, pois me sinto mais segura e madura para enfrentar os desafios necessários. Também espero ter um acompanhamento que me permita fazer as coisas certas para não prejudicar a mamada e o peito. Bem, sou super a favor do amamentamento materno e defensora, mas não sou radical. Acho que pessoas conseguem e outras não, e acho que isso precisa ser respeitado. Minha mae teve 3 filhos e um peitão, mas nao conseguiu amamentar nenhum dos filhos. Estamos aqui, vivinhos da silva, com muita saude e inteligência. Sendo assim, que o leite materno venha para fortalecer a relaçao mae e filho, propiciar a saude do bebê e um momento especial, caso contrário, acho que temos outras alternativas. Beijocas. Cris Mirna.

rosane disse...

olá kenia!! ainda estou me familiarizando por aqui... pelo visto já tens esse blog a um tempinho nao?? mas aos pouquinhos leio tudo... parabéns pelo cantinho... bjao,
zaninha

Lilás disse...

Parabéns pela persistência e acima de tudo amor!
Também amamentei meu filhote, não por muito tempo, por motivos de saúde, mas o suficiente para que ele crescesse forte e fosse hoje um rapaz que nunca teve uma doença, sequer cáries.
Grande abraço carioca

mani disse...

Cada uma de minhas bruguelinhas mamaram por mais de um ano... E acredito que odiaram parar. São duas bezerrinhas...Mas sabe que hoje nao suporto o cheiro de leite? Uma coisa doida. sou super favorável à amamentação. Aqui em casa, foi amamentação exclusiva até seis/sete meses...