sábado, 15 de agosto de 2009

Fragmentos






Em pedaços,
junto todas as moedas do fôlego,
e demito-me.
Expulso o que sempre fui:
esse esboço impreciso
que não se sustenta,
que não se aguenta nas pernas.
Ao invés,
Estilhaça-se
Esfacela-se
Vira pó
esperando, de braços cruzados,
que um vento qualquer
o leve embora
desgarrando do chão,
que nunca me deu posse,
os restos que insistem
em me pertencer.
E lá longe,
bem além daqui,
sopre-me,
evapore-me,
desconjunte-me,
dissipe-me.
E o que reste,
ébrio de rodopios,
possa penetrar
em vidas várias,
onde a dor
e certas feridas
sejam apenas esquecimento,
elipses,
não ditos
ou talvez,
por escorregadia lembrança,
tristezas ligeiras
que chegam e partem com as cores doídas
daquelas horas que encerram o dia.

5 comentários:

Cristiana disse...

Eu lembrei daquela cena de "Filhos do Silêncio" que ela fala (aliás, gesticula) que às vezes acha que vai se desmanchar.

Anônimo disse...

ô Kenia,qta coisa linda q vc está escrevendo ultimamente.Pq vc não publica?Falta o q?Quem?Como?Pq?
Nesse texto,voei com vc nessa dispersão consentida.

Bjos e []s

Ivette Góis

Varjal disse...

Kenia,
A imensidade de sentimentos que desperta esse seu poema é encantadora, podemos encaixá-lo em momentos vários de nossas vidas, sobretudo, ao meu ver, na solidão à qual tentamos afastar todos os dias..adorei. lindo.
beijos pra você

Luci disse...

tristezas ligeiras
que chegam e partem com as cores doídas
daquelas horas que encerram o dia.
- coisa mais linda, Kenia!
e é exatamente assim...
bj

Elzinha disse...

Uau!!! A-D-O-R-E-I-!!!!

Lindo...intenso...gostei!!