terça-feira, 22 de março de 2011

Nosso huisarts

Ontem foi a nossa primeira visita ao huisarts (médico da família, em uma tradução aproximada). Na verdade, Mariana e Paul tinham hora marcada e eu fui junto porque de lá seguiria com ela para a escola.

Durante o tempo em que estive estudando para o exame de integração, dei umas fuçadas em inúmeros fóruns aqui na net, nos quais pessoas relatavam suas experiências com o famigerado teste e também falavam de outros aspectos da vida na Holanda. Um dos que mais me impressionou foi a questão da saúde: de 10 pessoas que falavam dos seus médicos da família, nove davam informações negativas, tais como: eles só receitavam paracetamol para qualquer tipo de doença, não examinavam direito etc. Por conta disso, fiquei com o pé atrás. Sem contar que houve um caso de tremenda barbeiragem na família também (falo um pouco sobre ele aqui). Ah, e a cereja do bolo: o exame nosso de prevenção, também conhecido como Papanicolau III (desculpem, mas não resisti), que no Brasil é feito todo ano, aqui é feito a cada cinco! Enfim, medo, muito medo.

O esquema da saúde aqui funciona mais ou menos assim: cada pessoa tem de ter um seguro de saúde, pago do próprio bolso -- menos as crianças, que são dependentes do seguro dos pais sem custos, isso até os 18 anos. Pois bem, daí você, com o seu planinho, vai escolher seu huisarts (geralmente as pessoas escolhem em função da proximidade de onde moram, uma vez que, em casos de emergência, o huisarts atende a domicílio; huis quer dizer casa em holandês, tcharam).

Então, fica assim: se você sente uma dor, uma indisposição qualquer, marca uma hora no consultório do médico da família e, dependendo da gravidade, ele/a te encaminha para um especialista; caso seja algo simples, a criatura médica resolve por lá mesmo. Com relação à medicação, o bom é que ela é coberta pelo plano de saúde. A grande diferença com relação ao Brasil é que a pessoa só vai direto para o hospital em casos realmente graves: acidentes automobilísticos, ataque cardíaco, fraturas, por exemplo.

Sim, porque atualmente no Brasil (e isso para quem não depende do SUS), qualquer coisinha já se corre para uma emergência. As emergências dos grandes e bons hospitais viraram uma coisa de doido. Claro que chegam casos realmente graves, mas cansei de ver gente ido para a emergência (adulto) só porque estava com febre e dor de cabeça! Já fui uma vez na emergência de um hospital grande, próximo da nossa casa em Recife, porque estava, havia nove dias, com uma dor de cabeça medonha e o médico de plantão me receitou um relaxante muscular, sem ao menos solicitar uma tomografia, isso porque eu falei que estava passando por um grande período de stress. Quer dizer, você tem a falsa sensação de que está sendo assistida, não é verdade? E a verdade maior: saúde, mundo afora, virou businness mesmo...

Mas voltando para o huisarts -- não, definitivamente não sou uma pessoa de 140 caracteres... --, tive uma ótima impressão do dr. G., que foi muito simpático, conduziu a consulta em holandês e inglês, receitou remédio que não paracetamol para a pressão de Paul, solicitou uma visita ao oftamo para Mariana e outra para Paul (nefrologista). E também me falou que a consulta pediátrica aqui, em caso de a criança ser saudável, é feita a cada dois anos. Mariana ia à pediatra de seis em seis meses... Enfim, são algumas diferenças metodológicas que precisamos assimilar, uma vez que a coisa aqui funciona assim e ponto.

O pensamento que tem ocupado a minha cabeça é tentar parar de comparar as coisas e procurar perceber a lógica de cada situação. Por exemplo: Mariana ia à pediatra (que adoramos!) a cada seis meses, é verdade, mas muitas vezes eu não tinha nada a perguntar, estava tudo sob controle e o que saía, era resolvido via telefone. Quer dizer, a coisa aqui não é tão absurda, né? (Menos o Papanicolau, que eu não engulo, e que o dr. G. vai ter de explicar beeem direitinho).







(Um médico da família sabe um pouco de muitas coisas; Um especialista sabe muito de poucas coisas; Eu sou um super gênio porque de nada, sei tudo). Tradução minha. ;)




5 comentários:

Simone Westerduin disse...

Kenia, ainda não usei o sistema de saúde holandes. Quando fui au pair não tinha plano de saúde, mas graças a Deus nunca tive nenhum pirapaque e minha sogra é medica homeopata, quando eu tive infeccao nos rins ano passado ela mesma me medicou e passou medicamento que super resolveu. Mas assim como você eu quero dar sorte com um bom huisarts, até porque eu só escuto bizarrice, e se depender do marido aqui você só vai ao médico se estiver morrendo. Ele mesmo diz, que se você for ao médico por qualquer motivo os custos com plano de saude iram aumentar e tudo virá um caos.

Mas o que mais me assusta por aqui são os casos de cancêr, sinceramente eu acho que exames preventivos ajudariam bastante nessa parte, mas dai nego aqui vem e joga na cara que a saúde publica no meu país também não é nenhum exemplo.

beijao

Luciana Vannucchi de Farias disse...

A cada 5 anos???? :-OOOO

Paola disse...

Kenia,
Essa é uma questão a ser discutida, mesmo!
Mas virou uma verdadeira feir livre!
bj
Paola

Kenia Mello disse...

Lu, fico doida só de pensar nesses 5 anos... Vou conversar com o dr. G. e ver isso, mas a conta é essa, amiga. Pelo jeito, vou ter de morrer numa grana em exames quando vou ao Brasil. :(

Simone e Paola, a questão da saúde, tanto aqui quanto no Brasil, merece um post à parte, em breve.

Beijos.

Anônimo disse...

caramba,tb espantei:5 anos pro preventivo!Nossa,mas converse com seu médico,acho q ninguém vive morando por aí assim à toa,né?rsrsrsrs

Bjos e []s

Ivette Góis