terça-feira, 29 de janeiro de 2008



Ela deixou de lado todos os destinos e rotas conhecidas
deu um passo à frente movida pela vontade de ver o que havia além daquela muralha:
os sons que vinham de lá falavam de tardes ensolaradas, de paz, de delicadeza
Quanto tempo ela havia perdido na dureza dos dias,
na aspereza da voz que sempre lhe lembrava que, no lugar de asas, ela tinha apenas pés descalços
Mas foi com esses pés que ela decidiu andar
dessa vez sozinha, sem que ninguém lhe dissesse o que fazer, por onde ir
e foi, finalmente,
carregando na bagagem sonhos desfeitos e outros ainda por vir
O mundo, além daquela muralha, não era tão ensolarado, sereno e delicado
como ela, na sua solidão, havia desejado que fosse,
mas era um mundo possível, cheio de coisas para aprender, descobrir, entender
Vez por outra chegavam até ela ecos do que ficou para trás
trazendo dúvidas, arrependimentos, possíveis saudades,
zunindo nos seus ouvidos a fatídica vontade de retroceder e acordar na cama de sempre,
cercada de dias planejados e noites de lágrimas disfarçadas
Como essa trama chegará ao fim ninguém sabe,
mas ela agora suspeita que nunca houve ou haverá certezas.

Pra você.

Fotografia: Paul van Dongen.

4 comentários:

Anônimo disse...

É,amiga,a vida não dá certezas mesmo,o jeito é pagar pra ver.
Seu texto me lembra uma determinada fase da minha vida de tempos atrás.

Bjos e []s

Ivette Góis

Sweet! disse...

Lindo texto, mas entrei foi prá dizer q td vez q vejo esse nome (leite de cobra) só me vem mesmo "leite de cabra", kkkk

Kenia Mello disse...

Já tomou? Foi bom pra você?

Lívia disse...

Cada palavra foi profundamente compreendida.
Obrigada!!!