sábado, 29 de novembro de 2008

Momento de ternura



Ai, gente, as energias fluem, não é? A vida é um rio às vezes caudaloso, às vezes sereno que sempre nos leva ao mar, mas antes disso, muitas surpresas acontecem, muitas expectativas são quebradas e no final, ah, meus queridos e queridas, o que fica é o amor fraternal (tem pessoas que adoram uma rima, não é, cambada de devassos?).

Pois bem, hoje, em pleno sábado, dirigi-me à academia para mais um ritual de fitness, com toda a disposição advinda de uma bela fatia de cuscuz, quentinho e feito na hora, acompanhado de queijo de coalho na chapa, sem gordura, a proteína gritando. Mas vamos ao fato em si porque eu acho que o sábado é um dia propício para a reflexão e o conseqüente aprimoramento do ser humano.

Continuando a narrativa.

Cheguei e fui fazer o aquecimento na esteira. Acredito que vocês podem adivinhar quem ocupou a esteira ao meu lado. Sim, ele, o onipresente, o serelepe Vizinho de Cima. E eu, que acordei com Madre Teresa de Calcutá incorporada, resolvi tomar as rédeas da situação, quebrar o gelo e entabular uma conversação com o objetivo de, após certos preâmbulos, ir ao ponto nevrálgico da nossa conturbada relação.

Sintam a sutileza:

- Essas suas luvas fedem depois de usadas?, pergunto assim meio como quem não quer nada.
- Ah, fedem demais, é sair daqui e botar de molho, responde Vizinho de Cima.
- Pois é, por isso que eu prefiro nem usar, melhor calo do que catinga, né?, concluo no melhor estilo pessoa prática.

Depois de mais algumas amenidades e com o devido gancho, Vizinho de Cima fala que quase não usa a piscina do prédio e pergunta em qual andar eu moro. De pronto, respondo: sou a sua Vizinha de Baixo! Gente, ele não sabia quem eu era! Após a minha peremptória declaração, Vizinho de Cima ficou embaraçado e enrubescido, mas eu, condoída do seu desconforto, abri meu coração e falei das aflições e noites insones, além de frisar, claro, que não era nada pessoal.

Para minha surpresa, ele se mostrou um ser receptivo, antenado, compreensivo e meigo. Ouviu-me e desabafou também dizendo, inclusive, que havia emborrachado todos os pés do seu mobiliário - realmente, tirando as cabadas de vassoura de segunda para terça, nunca mais fui perturbada. Prosseguimos com o colóquio ressaltando o que há de melhor em cada um de nós, aquela coisa de deixar claro que somos pessoas especiais e diferenciadas.

E o ápice do diálogo foi o nosso aperto de mãos. Conciliador, fraterno e que selou a nossa pax domesticae. E para coroar a reconciliação, Vizinho de Cima desabafou: eu, que pensava que você era uma velha ranzinza, hoje vejo uma moça tão legal e bonita. As aparências enganam! Neste momento, uma lágrima rolou delicadamente do meu olho esquerdo... Ah, gente, Vizinho de Cima é um ser humano fantástico, não acham?

Reflitam sobre o episódio.

23 comentários:

Anônimo disse...

estou aqui morrendo de rir!

E não é q VC além de antenado é bacana hein?Imagino a tocante cena da lágrima rolando delicadamente do seu olho esquerdo...rsrsrs

Vc não presta nem nada e eu adoro esses Momentos!rsrsrsrs

Bjos e []s

Ivette Góis

Sweet! disse...

Q fófis...
Eu sabia q ia dar nisso, engraçado...
Prumode tenho 2 histórias de vizinhos brigados com o povo daqui de casa, q acabou em paz. Prumode marido já foi síndico, ixe...
Bjs!

Fatima disse...

Ai Kenia, você não existe!!!!
Dei uma gargalhada, que vieram aqui saber o que estava se passando.
Menina, sabia que ia acabar assim, eu ia até sugerir para você ir até ele se apresnetar( ele tem acento? nem sei mais....rs ).Beijos, bom final de semana!...beijos na Maricota!

Repórter Bacurau disse...

Huahuahuahuahua...

Não é que rolou um final feliz?

Nadja Granja disse...

kkkkkkkkkkk
tu não existe muléeee
a lagriminha me fez chorar....de rir
beijocaaa Naná

silvania lessa disse...

Aqui a gente vive emoções fortes: saudade, nostalgia, emoção à flor da pele e em outros, uma história de rir até doer a barriga. :-)
E realmente essa lágrima rolando delicadamente foi a do mês! ;-)
Fã de carteirinha.

Nei Ken iti Schimada disse...

Tocante e harmonioso feito um acordo de cavalheiros do seculo XIX.
No fio do bigode, senhoras e senhores.
Britanico e sem modestia, londrinos(!).
Serelepe gato em novelo de la & afago morno em labrador.

(Mas diga la, que tal os vizinhos de baixo?)

Besos!

Ana R. disse...

Nem sempre, nem sempre...:) Um dos lados bons de morar em casa é não ter vizinho em cima, nem em baixo. Já é um bom começo....

jose luis disse...

foi praticamente um encontro

Glicéria disse...

É o clima natalino!!!!!
Ho,ho,ho.
Que bom que ele parou de perturbar.

Beijos
Gli.

Anônimo disse...

É chato ter que dizer...
Mas eu já sabia!
Não sei se por ser uma eterna romântica ou por saber de sua alma.
Ou "ambos" os dois rsss.
Amei!
bjs
R.

Beth/Lilás disse...

kkakakak Cínica tú és! Adoro!

Eu lia e ria, aí o marido passou e perguntou o que era - li tudo de novo, com entonação, inclusive com os ós abertos do sotaque recifense e da verve debochada que você passa.

Foi um ótimo começo de domingo!

mil beijos cariocas

Gláucio Almeida disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkk
Hilário! Queria ter presenciado essa cena fraterna... hehehe
Beijos

Renata Komuro disse...

Kenia, de repente viajei na maionese e imaginei que o vizinho de cima poderia ser um "personagem fictício" do teu blog... (já que vc é uma escritora nata...), sei lá!! de qualquer forma vai minha dica: postar uma foto de vcs dois juntos, huáhuahaua!!!
Bjão pra tu
Rê.

Creusa disse...

Pôxa Kenia, fiquei verdadeiramente emocionada com o encontro dos vizinhos. Estamos tão acostumados em "malhar o pau" no outro que o piloto automático já nos conduz para esse caminho. Mas que bom que nesse dia os astros conspiraram e vcs estavam abertos um para o outro. Achei lindo! Parabéns!

DILERMArtins disse...

Ótimo! Fiquei imaginando...A luva, o vizinho(de cima), a vizinha(de baixo), a lágriminha...Do olho esquerdo! Bah! Será que esse olho não é de vidro! Sei não...Vamos aguardar os próximos episódios, que virão, espero!

Esperança da Luz disse...

Sem querer vasculhar os arquivos, foi quando que você falou de Vizinho de Cima em outra ocasião?
Mas a pergunta que não quer calar é: Ele apertou sua mão com ou sem luva? Se foi sem ela ficou catingando???
Beijossssssssssss

Kenia Mello disse...

Vocês gostaram da lagriminha rolando, hein? Ô povo sensível! Hehehe

Fatinha, ele, o Vizinho de Cima, perdeu o acento faz é tempo. Hehehe
Beijos.

Repórter, que nada, meu fio. Do sábado pro domingo rolaram umas cabadas de vassoura legais, mas dessa vez com mais consideração. Hehehe

Nei, Vizinho de Baixo nunca se queixou de nós. A gente é pobre, porém asseado. Hehehe
Beijos.

Ana R., aqui em Recife é impraticável morar em casa por causa da violência. E como não tem muitos condomínios fechados, não rola mesmo. Fui criada em casa e sei a diferença que faz... Apesar de que isso não te livra dos vizinhos do lado ou da frente. ;)

José Luis, foi tão meigo...

Glice, parou nada, fia. A vantagem é que agora posso reclamar pessoalmente. Hehehe

Re, confesso que tomei a iniciativa por motivos mais práticos do que anímicos. Hehehe
Beijos.

Renata, pra eu postar uma foto dele, vou precisar de autorização. Se ele der (no bom sentido), vai querer ler o blog. Se ele ler o blog, vai ver os posts passados. Se ele vir os posts passados, acabou a amizade. Hehehe
Beijos.

Creusa, você me conhece, então, não me compre! Hehehe
Beijos.

Diler, você falando de olho de vidro, eu lembrei de uma certa capa de disco de Tom Zé... Hehehe

Esperança, a relapsa aqui ainda não colocou marcadores no blog, mas se você for no Google e digitar o nome do blog e vizinho de cima, você acha. ;)
Ah, e o aperto foi iniciativa minha. Com luva que eu nem sou doida. Hehehe
Beijo.

Patricia Daltro disse...

Rapaz, esse lance da lágrima foi sensacional! kkkkk No final, você também demonstrou ser um ser humano para o vizinho de cima.kkkkkkkk

Anônimo disse...

Mas quem foi que disse que a praticidade não está ligada às questões anímicas?
Bj
R.

Kenia Mello disse...

Re, mas eu fiz tudo isso pela vaidade - a tez de pêssego conseguida através de boas noites de sono. Hehehe

Anônimo disse...

Ah, sim... entendi agora,
sua espertinha!
Mas no fim... dá tudo certo, já diz o ditado :)
bjs
R.

Lúcia Soares disse...

Está de férias? Fechou o blog? Acessei errado? Não comentou, mesmo, ainda, em dezembro? Tô por fora. Cadê você?