segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Aos quase 42 do segundo tempo



Todo mundo diz que à medida que a idade vai avançando (eufemismo babaca para o envelhecimento), vamos ganhando em sabedoria, serenidade e paciência. Rá. Pois comigo a banda não está tocando dessa forma, não. Certo que eu nunca fui um poço de paciência e nisso realmente tenho melhorado, aos pouquinhos, mas tenho. Serena, eu? Nem dormindo (e olhem que Vizinho de Cima tem colaborado)...

Aos quase 42 anos, até me acho meio sabidinha, um pouco mais maliciosa para as sacanagens alheias, mas meio desfocada no que diz respeito à natureza das pessoas. Eu até tenho uma puta intuição, mas, contraditoriamente, com esse tal avanço da idade, perdi a mão de ouvi-la. Preciso prestar mais atenção aos meus sinais e aos alheios. Acho que por causa da macrobiótica, incensos, hippiesmo de butique, papos cabeça de estudante de psicologia e outras lérias de vinte anos atrás, tomei abuso das energias que emanam, do Universo que conspira e de outro tanto de besteiras. O ruim disso é que não dá para colocar tudo no mesmo balaio de gatos e deixar a sensibilidade totalmente de lado. Isso, sim, o tempo está me ensinando.

Porém, uma coisa tem piorando com o passar dos anos. Tudo tem cara de reprise, sabem como é? Ando tão cansada de certas coisas e situações... E eu sei que isso é uma baita chatice. Eu até me esforço, tento me divertir, entrar no clima da coisa e das gentes, mas não dá. Ando abusada pra cacete, essa é a verdade. Preferindo um bom livro a uma prévia de Carnaval em Olinda. Achando que reunir amigos pra beber e conversar bobagens lisérgicas em um lugar privado é muito melhor do que ir a qualquer bar esperto e da hora - mesmo porque poucos bares aqui de Recife ainda me dizem alguma coisa. É, nunca pensei que fosse chegar a esse ponto, mas cheguei. Tem horas que me olho no espelho e dou de cara com uma estranha. Isso é que é o passar do tempo. E isso é uma merda federal, eu acho. Amanhã pode ser até que eu mude de ideia e resolva escrever de acordo com a nova norma. Mas como Norma é a minha mãe e ela não muda nunca, continuo do contra, pelo menos aqui e até 2013.

16 comentários:

Paola disse...

Sei bem, eu tb me sinto assim, duro é que como "tudo tem cara de reprise", já nnao faço mais aquela cara de "oh", que antes eu fazia com facilidade!
às vezes consigo não me incomodar, mas as coisas, de forma geral, me parecem muito barateadas.
Eu perdi um traquejo social, que antes equilibrava minha falta de paciencia, ando soltando o verbo!

Tudo depende do dia!

Beijo

PAola

Anônimo disse...

a vida vai mostrando caminhos diferentes a cada pessoa,mas eu acho q no final mesmo se entendermos quem somos,pelo menos um pouquinho,já estamos no lucro.rsrssrs

Bjos e []s

Ivette Góis

João Eurico disse...

Já ouviu falar de distimia ? Tome cuidado. Tudo é para nós de acordo como nós encaramos. Se você se aborrece, obterá mais aborrecimento.

Relaxa, aproveita e fundamentalmente, ignore o que nào lhe apetece. Não perca tempo com o que vc nào gosta. Inclusive, o tempo de reclamar.

Kenia Mello disse...

Pô, João Eurico, se eu não puder mais reclamar, estou perdida, não sou mais eu, aí já é mudança demais pra minha cabeça, meu caro. Hehehe

Cris Prates disse...

Eu preferiro reunir os amigos em casa mais pela economia, mesmo (apesar de que só o faço depois de "faxinar" a casa). Você está ficando mais paciente? POis eu estou muito "disimpaciente" a cada dia mais. Acho que aos 40 não darei nem bom dia, huauahua
Gio faz 41 na quarta-feira e não pára de dizer que tá velho...Tá abusaaaado!
Beijinhos
nountise

Kenia Mello disse...

Cris, desconfio que esse abuso que acomete a mim, ao seu marido e a mais um bando de quarentões que eu conheço, foi devido ao excesso de embalos de sábado à noite. Nos anos 80, botamos pra quebrar, nega. Hehehe
Beijos.

Cris Prates disse...

Ok,mas eu só tenho 33, hehe

Celo disse...

Kenia

O sujeito quando envelhece
quase tudo lhe atrapalha
pega a mulher alisa,ajeita,abraça
porem só faz duas coisas
soltar peido e achar graça.....

a vida é assim mesmo, tem que ser levada a punheta.quem não quiser envelhecer que morra novo.

um cheiro

Celo

Anônimo disse...

eu , cada dia que passa fico mais idiota
que bom

Esperança da Luz disse...

Tenho me sentido assim. Mas jogo a peruca pro lado e vamo lá, solto a Rolinha Maria que tem dentro de mim e o resto que se lasque.

Anônimo disse...

Quando leio uma postagem sua assim intimista, fico retendo meus achismos, porque imagino que esses textos envolvendo aspectos intelectuais e funcionais de sua vida pessoal fazem parte de toda essa sua imensa colcha de retalhos que, segundo vc, não tem qualquer pretensão. (Isso é super saudável, sou pelas coisas LEVES.)
Mas aí, por outro lado, mesmo através de blog, a gente se pega fazendo o papel de amiga e assim, procurando equilibrar-se na tênue linha entre o aconselhamento e o comentário... arrisca um palpite!
Longe de mim a pretensão de traçar perfil psicológico, mas ouso dizer que, paradoxalmente, acho super saudável esse “mal/mau humor” que lhe acomete, impulsionando-a muitas vezes a supervalorizar fatos corriqueiros, até porque, embora colocados como sinônimos há uma diferença sutil entre banalidade e trivialidade e percebe-se isso nas entrelinhas dos seus textos, como já falei em outra ocasião.
Também sei que você não é do contra apenas por ser; há um sentido, uma viagem, uma busca por trás disso tudo.
Visualizo um “contra” e uma “chatice” que colocam interrogações e supostos altos e baixos - onde você corajosamente expõe sua alma - te conduzindo a mudanças constantes, já que as tais crises e buscas existenciais irão sempre existir, graças a Deus, senão... como mudar, como crescer, como amadurecer?!
Nessa aparente desordem, há uma busca pelo equilíbrio das coisas onde se joga no lixo velhos conceitos e valores que já não servem mais.
Não digo isso pra jogar confete simplesmente.
Digo isso por conhecer sua alma.
E essa é a minha leitura!
bj
R.

reporter bacurau disse...

Mulher,

Como diria Marta Suplicy: relaxa e goza!

Tu tá ficando véia, chata e ranzinza!! :P

DILERMArtins disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
DILERMArtins disse...

A Verinha diz que, quando cheguei as 40, fiquei na maior depre.
Agora te digo, estou próximo aos 60, e vejo cada muitos reprises, mas há uma vantagem nisso: Como já conheço as hitórias, presto mais atenção nos detalhes, nas nuances, nas matízes, nas entrelinhas, no subliminar...Te asseguro que é muito divertido, as vêzes, um detalhe pode te encantar e surpreender tanto quanto o desfecho da trama toda. Esperimente!

Kenia Mello disse...

Repórter Bacurau, você conhece as Ilhas Fidji? Hehehehe

Kenia Mello disse...

Diler, então eu tenho 18 anos ainda pra me adaptar. Hehehe