segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Malandro é malandro...






Um dos meus desenhos favoritos da infância era Manda-Chuva (Top Cat, Hanna-Barbera) - vocês lembram dele e da sua turma, que viviam fugindo do guarda Belo? Pois bem, o chefão do bando de gatos, como o próprio nome já diz, era esperto e sempre se dava bem no ramo da malandragem.

Não sei até que ponto esse desenho animado contribuiu para a formação do povo brasileiro no quesito Malandro é malandro, mané é mané ou quanto o mesmo tenha dado uma força na implementação da Lei de Gerson e demais mazelas tão grandemente atribuídas ao homo brasilis nas teses antropológicas defendidas nas cátedras das nossas universidades ou nas suas similares menos castiças nas rodas de bar, mas a verdade é que eu gostava do gato falastrão e bandoleiro.

Uma das cenas que mais recordo é a que Manda-Chuva e Batatinha, um gatinho gorducho e baixinho (o da extrema direita, roxinho), com jeito de criança e inocência idem, juntavam-se para dividir um saco cheio de moedas. E Manda-Chuva começava a partilha:

- Um pra você, um pra mim.
- Dois pra você, um, dois pra mim.
- Três pra você, um, dois, três pra mim...


E assim seguia o espertalhão se dando bem às custas do bobo Batatinha.

Eu, que tinha uns seis ou sete anos, percebia a malícia, mas não deixava de achar graça. Até hoje acho e muitas vezes repito-a, de brincadeirinha, quando vou dividir algo com Mariana que, claro, apita na hora sem deixar de rir da trapaça.

Daí que eu fico pensando como é que hoje, na vida adulta e lidando com adultos, algumas pessoas acham que podem fazer certas jogadas sem que os outros percebam. E olhem que às vezes até conseguem, não pela burrice, mas pela boa-fé alheia, o que torna tudo mais lamentável ainda. Só que, felizmente, comportamentos assim se sustentam por pouco tempo. Então o desenho do gato malandro e com ausência de escrúpulos não deixou de ser altamente didático, não é mesmo? Para quem cresceu achando que é mais fácil se dar bem passando por cima dos outros, o desenho pode até ter sido um incentivo, pode até ter dado uma mãozinha, mas para quem prefere se defender da esperteza alheia, foi um excelente aprendizado. Afinal, malandro pode ser malandro, mas mané é quem quer.

8 comentários:

Beth/Lilás disse...

Ih, eu também gostava desse desenho! Mas, o meu predileto era o urso Zé Colméia e Catatau.
Quanto aos 'ixpertos' que o Brasil tem aos montes, tenho a impressão que sempre entram pelo cano, pois os 'manés' estão ficando raros.

bjs cariocas quentes

Giovanni Gouveia disse...

Chegou
O Manda-Chuva o tal, é
O chefe, o maioral, malandro como ninguém
Mas com pinta de "gente-bem"

O Chefe
Não gosta de trabalhar, é um trapalhão
Esse gato só pensa em fazer confusão
Manda-Chuva o chefe
Chegou

Sim, esse gato só pensa em fazer confusão
Manda-Chuva, o chefe
Chegou - Ei Chefe!


bioness

DILERMArtins disse...

Mas bah, guria.
Sou do tempo do Tom&Jerry.
O Tom era um gato que sempre se dava mal nas suas tentativa de pegar o Jerry. Acho que, de certa forma, o Tom também, nos ensinou que o mal não compensa.
Quanto aos antropólogos de plantão gostaria que olhassem mais pra nossa elite; no dia que tivermos uma elite ética teremos um povo de moral ilibada.

Anônimo disse...

Manda-chuva era um barato mesmo.
Acho q é da natureza humana o querer sempre levar vantagem,o q varia é o grau de esperteza e a frequencia com q ela é praticada.

Bjos e []s

Ivette Góis

paulinhaaa disse...

Isso é por que hoje ainda existem pessoas de boa fé, mas com tanto mau caráter será que os de boa fé vão durar muito tempo??? Ou cansarão de ser bonzinhos e passarão pro outro lado da força?

Beijos e boa semana!

silvania lessa disse...

Eu acho q as pessoas estão mais receosas, menos abertas com relação a estranhos do q antigamente mas no fundo a vontade de acreditar sempre existe, só q impõe mais condições e demora mais para se realizar.
Sempre vai haver os espertos e os que vão aprendendo aos poucos. ;-)

jose luis disse...

o malandro so' existe
porque existe um otario

Crysthine disse...

Eu tb adorava esse desenho, e concordo com vc, mas só como um plus, pq acho q esse negocio de malandragem e manés vem desde a colonização.
beijinhoss