sexta-feira, 10 de julho de 2009

Conversinha à toa



Experimente um dia, meu bem, sair de casa sem a roupa de domingo, sem óculos escuros. Deixe o telefone em cima da mesa, saia sem ele. Também não use seu carro, pegue um ônibus e siga um destino qualquer, desconhecido. Olhe para as pessoas, olhe bem, sem receio, você não as verá mais e nem elas a você. Deixe em casa seus discursos, o script pronto, suas racionalizações. Seus compromissos urgentes, seus afetos, todos os planos, deixe-os em casa só por um dia. Esteja só, mas só de verdade. Nada que te prenda, nada que te explique, deixe tudo estar, deixe para trás. Vá sozinho com a cara lavada e a pouca coragem que lhe resta, não importa, mas vá. E leve junto aqueles incômodos que você tenta, a preço de muito suor e dor, esconder. Aí você verá, pelo menos por um dia, que arrogar certezas é conversinha à toa para enganar a vida. E que no final, querendo ou nos esforçando em contrário, somos todos bobagens, meu bem, piadas de mesa de bar.

4 comentários:

Anônimo disse...

convite desconcertante esse.precisa ter bagos para encarar a empreitada...rsrsrs

Bjos e []s

Ivette Góis

Lúcia Soares disse...

Pode não acreditar, mas sempre penso em fazer isso? Mas não fiz, ainda...Tô precisando. Deixar nos caminhos deconhecidos umas neurazinhas, quem sabe?

Punksauro Nei disse...

É, mas não tenho aptidão para budista não.

Besos!

Kenia Mello disse...

Budismo? Ele conhece o desespero? Acho que não, Nei.