segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Não sei de cor






Não sei poemas de cor, embora estejam dentro de mim, prontos para serem ditos.
Não sei poemas de cor, não sei declamar, sei apenas ficar quieta diante deles.
Sou uma blague, uma farsa, um acúmulo desordenado de pés sem cabeça, nem pé nem cabeça nem tronco nem membros, só vertigem em meio ao caos e às vidas alheias, tão exatas e ordeiras.
Respiro o cheiro nauseante de fantasmas antigos, todos guardados, todos prestes a tomar, em motim e dentes, o que lhes é de direito. No entanto, resisto, um pouco a cada dia. Até quando?
Não sei poemas de cor, mas sei um pouco da dor, matéria bruta de que são feitos. E se num dia de sol como hoje, a felicidade me espreita, esqueço a folha em branco e sigo com riso largo, fácil - quem disse que não sei fingir?
Talvez, por isso, eu não saiba poemas de cor: eles fogem de mim porque não me entrego, resisto-lhes. Até quando?

8 comentários:

Anônimo disse...

Você dá conta de não resistir? O universo onírico, poético às vezes cobra um quinhão alto demais...

jose luis disse...

poemas nao sao pra se saber de cor
sao so'pra serem guardados mesmo

Punksauro Nei disse...

Ate quando voce comprar uma Fender Stratocaster e comecar a compor blues.

Besos!

Anônimo disse...

concordo com o Punksauro Nei,tu andas blues total por esses tempos.Chego a ouvir uma gaita chorando de fundo.

Bjos e []s

Ivette Góis

Paola disse...

Sabe aquela do Ferreira Gullar???
TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Ferreira Gullar


ao ler o post só isso que me veio à mente!

Kisses, kisses
Paola

Kenia Mello disse...

Paola, é lindo, né? Obrigada! De Ferreira Gullar também gosto muito de Cantiga para não morrer:

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

Moça de sonho e de neve,
me leve no esquecimento,
me leve.


Beijos.

Anônimo, eu acho que não. :)

Nei, ia ser massa, nera? Bora fazer uma parceria? :)
Beijos.

Ivette, você toca a gaita. feito! Hehehe
Beijos.

José Luís, morro de inveja de quem sabe. :)

Giovanni Gouveia disse...

Guardo, comigo, pelo menos as palavras chave dos poemas, assim qualquer coisa eu busco no google e no yahoo, tal qual as "Cartas de Amor Ridículas"...

juirc

AMARela Cavalcanti disse...

Como já tinha te falado, só sei 1 poesia de cor que é "A Rua das RImas" de Guilherme de Almeida. E só sei pq qd fazia teatro tive que fazer um monólogo todo em cima dessa poesia. Mas é difícil, pra mim, decorar poesia. Atá pq acho que quando decoramos, acabamos não prestando atenção no significado, por isso só sinto...