domingo, 20 de setembro de 2009

Chá das 5








ela? pois sim. tão necessária, centrada, confiável. você, acostumado que está com essas certezas, se soubesse das sombras, do abismo e do pequeno estilete com que ela corta a própria carne, sem lágrimas nem dor, movida ainda, teimosa que é, pela vontade de sentir-se viva, decerto recusaria a xícara de chá que lhe será servida um dia. entre as rendas e a fatalidade, apenas um sorriso breve e toda delicadeza do gesto. a vingança, silenciosa e aguda, travestida na lucidez que a tudo corrói lentamente, espera a hora de mostrar-lhe a trágica e pervertida face.