sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Manhãs






Uma espécie de credo e transe me invade de manhãzinha,
na hora em que os humanos lambem, sonolentos,
os restos de baba seca.
E eu me espalmo como quem tem da licença
todos os direitos
do sem pedir.
Saída direto dos sonhos,
vou me desenhando no teclado
e comigo todas as delicadezas,
as dores,
as vontades,
os sentidos
e, por que não,
uma miúda e comovente esperança.
Mas isso só de manhã cedo,
antes que o correr do dia ache oportuno
ou engraçado, quem saberá?,
me quebrar inteira
como quem tritura grãos do café
que antigamente me davam bom dia.

3 comentários:

Ana R. disse...

Adorei.

Ivette disse...

engraçado q às vezes essas letrinhas da verificação entram bem no clima dos textos: "paria" foi a q saiu.Do verbo parir,parir na aurora como vc faz com seus poemas.E pária, o sentimento de ser q emana de muito dos seus textos.Vou prestar mais atenção nessas palavrinhas,elas podem dizer muito nas coincidências.rsrsrs

Bjos e []s

Ivette Góis

rosane disse...

kenia! arrasou na bienal viu!!
menina só vi hj que é o último dia para votar!! que bom que vi a tempo!! parabéns, amei, bjao