segunda-feira, 6 de junho de 2011

A língua holandesa é... (complete como quiser)



Sábado passado, Mariana e eu ganhamos livros:






O primeiro, de Mariana, claro, são pequenas histórias para serem lidas na hora de dormir, por nós ou por ela, uma vez que o seu nível de entendimento da língua já permite a leitura de livrinhos infantis e gibis.

O meu é sobre o Holocausto, temática sobre a qual já li muita coisa e da qual gosto bastante. No entanto, ler um livro desses é um grande desafio para mim. Hoje, honestamente, diria que seria um processo lento porque eu necessitaria de um dicionário para consulta constante e isso é meio desanimador. Já dei umas folheadas, consegui ler algumas páginas, mas diria que ainda é cedo para encará-lo sem perdas. Poderia fazer uma leitura superficial, entendendo o sentido geral, no entanto, deixaria de lado certas nuances que só o domínio razoável da língua me permitiria. Por isso, adivinha qual livro estou lendo? Aliás, quase sempre estou atacando a crescente biblioteca de livrinhos de Mariana.

Há quase três anos, quando conheci a viúva do educador Paulo Freire, Nita, conversamos sobre um assunto que, atualmente, sinto na pele. Na época, ela me falou de uma viagem que fez com Paulo ao Japão, onde ele receberia uma homenagem e faria um palestra. O assunto, dentre tantos que conversamos naquele dia, dizia respeito ao sentimento de estar em um lugar cuja língua nos é completamente estranha. Ela me falou sobre a sensação de se ver analfabeta, de não conseguir decodificar um sistema linguístico e, por conta disso, ficar à margem, em um mundo à parte, enxergando sem ver, digamos assim. Esse seria o tema do seu próximo livro. Porque, como educadora e tendo participado de toda a luta do marido no processo de letramento de adultos, esteve sempre na posição daquele que "ensina". Para um professor, acredito que essa experiência é fundamental. Com certeza, no dia em que eu voltar para uma sala de aula, serei uma professora melhor do que fui, por estar vivendo o "outro lado" hoje.

Guardadas as devidas proporções (ainda bem!), aqui na Holanda não me considero analfabeta: consigo ler textos simples, notícias de jornal, avisos importantes etc., mas não falo holandês. Claro que me preparar para o primeiro exame do processo de imigração me ajudou e muito. Nas primeiras vezes em que vim aqui como turista, precisava de ajuda no supermercado para desvendar coisas não muito óbvias, como as especificações dos produtos de limpeza, por exemplo. Hoje consigo me virar bem sozinha, embora haja dias em que eu prefira ter uma companhia que fale por mim, pense por mim, resolva por mim... Nesses dias, o caminho me parece extremamente longo. E é. A sensação de compreender a maioria das conversas e as coisas que me dizem, mas não conseguir me expressar é, para dizer pouco, frustrante.

Não estou aqui me queixando, pois sabia que seria assim desde o início. Sei também que a paciência não é um dos meus pontos fortes e estou tendo de rever essa minha característica a toda hora porque as coisas por aqui andam lentamente. Mas estou empenhada em aproveitar o desconto de 70% que a prefeitura da minha cidade me dá em cursos de holandês e aguardo, por estes dias, a resposta para o início do meu curso de NT2 (Nederlands als tweede taal - holandês como segunda língua). E vamos em frente.


12 comentários:

Nei kS disse...

holanjdeshaj?

Nei kS disse...

Mas, sorte a sua cuja referencia é europeia. Besos!

Kenia Mello disse...

Pois é, Nei, poderia ser bem pior. Pelo menos o holandês tem muita coisa próxima do inglês e do francês, o que já ajuda bastante. Nem falo do alemão porque pra mim, em termos de conhecimento, seria zero. O que dificulta bastante é a ordem da frase, por exemplo e pra citar só numa das dificuldades, que vai de encontro a tudo que um falante de uma língua latina (ou mesmo de inglês) conhece...
Beijos.

Simone Westerduin disse...

Kenia, aqui em casa eu penso, penso, faço uma frase enorme e Iwan diz: QUE? ou seja falei tudo certo na ordem errada.

beijos

Kenia Mello disse...

Simone, exatamente. Esse negócio de verbo no fim acaba com um ser humano. :)
Beijos.

Anônimo disse...

Holandês é uma língua... "que não é brinquedo não".rsrsrsrs
Tenha paciência,como você mesma diz, se um bando de jumentos aprendeu por que você não vai? rsrsrs

Bjos e []s

Ivette Góis

Fabio Barros disse...

Pra mim, a coisa mais dificil de aprender é idiomas. Lendo e escrevendo, eu me viro bem. Mas falando e ouvindo...

Por isso, parei no ingles e no espanhol. Mas arriscaria aprender italiano e frances. Alemão, nem pensar! Chines e japonês, então? Aquilo é idioma de alienígena... :)

Kenia Mello disse...

Fábio, sem dúvida que algumas pessoas têm mais facilidade pra aprender línguas que outras. Mas uma coisa é certa: depois que você aprende uma segunda língua, com as posteriores fica mais fácil. Obviamente que se elas pertencerem ao mesmo ramo linguísitico ajuda e muito. ;)

Nei kS disse...

Imagine um idioma sem o to be, ser estar, je suis, etc. É o japonês.

Kenia Mello disse...

Nei, eu sei que pode ser beeem pior. Pelo menos com o holandês dá pra encontrar similaridades com outras línguas. Japonês é punk! Punkssauro. ;)

Rydi disse...

Eu já estudei bastante e mesmo assim ainda não é perfeito(nem será). Dedicação é tudo, uma hora vc consegue, só não pode desistir ou dar ouvidos à críticas destrutivas.

abraços

Kenia Mello disse...

Rydi, concordo contigo: dedicação é tudo. E determinação também. O caminho é longo, mas possível de ser percorrido. Valeu pelo apoio.
Beijão.