quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ígnea natureza






Fogo
elemento
pequena candeia ou indômita chama
língua de fogo
perfilada ou em agônico desmantelo sinuoso
Marte, deus da guerra
Ariano destino de cascos que trincam o chão
em estrondo e posse
o poder que emana da luz hipnótica
e do calor escaldante
Fogo
magma que arrasta tudo ao redor
em grossos e lentos borbotões
fúria
ímpeto
queimadura
dor profunda
aguda
Fogo
que tudo consome
desfigura
dizima
beijo feroz e sôfrego
dança de saias negras e rubras,
convulsivas, orgásticas
carmesim
brutal natureza
alimentada por alvas mãos vestais
E quando, por fim, verte-se
em punhados de cinza
O que era labareda
agora é fogo manso
morto
fátuo
brasas esmorecidas:
os seus despojos
Fogo
ele que tudo assola, inclemente,
também purifica e emprenha
e das somas elementares
surge a vida, clandestinamente,
pelas frestas,
sorrateira,
a mais divina e estrangeira das contradições.

6 comentários:

Ivette disse...

belíssimo texto,sem dúvida um dos melhores dos últimos tempos.E não poderia deixar de vir de uma talentosa ariana.

Bjos e []s

Varjal disse...

Kenia,
Sabe o que mais admiro nos poetas? Essa capacidade (que você tem) de sentir com a alma!
parabéns, lindo.
beijos

Punksauro Nei disse...

Amor de ariano eh guerra.

DILERMArtins disse...

Mas bah, Kenia.
Você anda assim, meio que apocalíptica, Primeiro foram as folhas cumprindo seu destino, quietas, inertes, mortas! Agora o fogo esse cavalheiro vestindo carmim e execendo toda a sua força! Ainda bem que no final a vida, tal qual Phenix resurge vitoriosa.
Parabéns, minha amiga, dois belos poemas.

Cristiana disse...

É, eu acho que vi esse filme... A estória das saias me lembrou "Carmen".

jcjunior disse...

Gostei do poema. Muito bom!
Parabéns, amiga