segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O primeiro tombo de bike a gente nunca esquece...



Uma hora ia acontecer, claro. Quando saiu do Brasil, com quase 7 anos, Mariana ainda andava de bicicleta com rodinha. Isso porque, infelizmente, Recife não é dos lugares mais seguros pra se andar de bike na rua, de modo que ela preferia o patinete, uma vez que era o que o espaço no nosso condomínio permitia. Deixou, então, pra tirar as rodinhas aqui.

As crianças holandesas praticamente nascem em cima de uma bicicleta: tão logo começam a andar, já ganham uma bicicletinha de madeira para ir treinando equilíbrio, essas coisas. E claro que nós não queríamos que ela se sentisse um ET por não andar de bicicleta, né?



Maricota, como sempre, foi super rápida no gatilho: na primeira vez que foi treinar, com algum receio, lógico, já tirou de letra e saiu desembestada. Quase na frente do apartamento tem duas quadras imensas e foi lá que a criatura teve as primeiras lições:



Daí que a etapa seguinte naturalmente foi ir pras ciclovias: Paul e ela fizeram uns dois passeios antes de irmos os três por aí sem lenço, mas com documento. E ela foi super bem e confiante. Mas sempre naquele esquema um olho no peixe, outro no gato: Paul na frente, ela no meio e eu na retaguarda. Isso até a última sexta-feira...

Decidimos subir a ponte de Ijburg (bairro de Amsterdam construído numa ilha artificial aqui perto de Diemen). A ponte se chama Nesciobrug -- em tradução livre: Ponte do Estúpido (mentira, Nescio é o nome do arquiteto, super famoso por essas bandas, que tocou o projeto):



Vendo assim, todo mundo logo pensa: esses dois são uns irresponsáveis! Nada, gente, o que assusta mesmo é a altura/tamanho da ponte. Em cima, é super tranquilo e a ciclovia é segura. Confesso que quem quase fez nas calças fui eu, mas isso não é novidade.

Então, o acidente aconteceu depois que descemos a ponte. Entramos em um parque cuja ciclovia era imeeensa e quase sem movimento. Asfalto lindinho, árvores e depois da descida espremidos, resolvemos fazer o quê? Apostar uma corrida, claro. Mariana, que não perde pra basculho, danou-se a correr na frente. Eu e Paul entramos na onda e a ultrapassamos. Quando ouvi, foi só o estouro atrás de mim. Parece que ela não reduziu a velocidade na hora de mudar de marcha e alguma coisa travou, não sabemos ao certo.

O que vi foi a criatura chorando, estirada no asfalto. Larguei a minha bike no meio da ciclovia e corri pra socorrer. Ela estava com os dois cotovelos bem ralados, além do joelho. Quando ela se levantou, Paul viu que ela quebrou um pedacinho do dente. Pra quê! Fiquei nervosíssima, tenho o maior cuidado com os dentinhos dela e foi logo com um permanente. Nisso, uma família de ciclistas passou por nós no momento em que eu estava lavando e limpando os ferimentos -- sim, bolsa de mãe tem coisas inimagináveis... A turma viu que não tinha sido muita coisa e seguiu, mas a avó, que me viu chorando, parou e veio perguntar, se, de verdade, não precisávamos de nada. Achei muito bacana da parte dela.

A decisão era seguir direto pro dentista e rezar para o centro dentário estar aberto (a minha dentista, por exemplo, está de férias). E quem disse que ela queria descer a ponte pedalando? Medo, né? Fomos andando e depois da ponte seguimos normalmente de bicicleta até o dentista, que fica já na divisa da nossa cidade com Amsterdam, no outro lado de onde estávamos. Felizmente, tinha dois dentistas atendendo. Nisso, meu cunhado chegou com o carro pro caso de estar fechado e precisarmos procurar outro centro em Amsterdam.

Felizmente, foi pouca coisa, a raiz aparentemente não sofreu nada e daqui a duas semanas, iremos para fazer o preenchimento do pedacinho que caiu.



O dentista que a atendeu falou que daqui a três meses vai examinar de novo a raiz apenas por questão de precaução. Alívio, mas não sem culpa. Porque mãe SEMPRE se culpa por tudo de ruim que acontece com os filhos e eu não sou mesmo uma exceção. Coisas do tipo onde eu estava mesmo com a cabeça pra deixar essa corrida?, ai, ela poderia ter morrido etc. foram alguns dos meus instrumentos de tortura, claro. Mas passou, felizmente.

O resto do dia, ela passou assim, só capitalizando o evento, o tema da manha reinando:



Desde sexta que ela não quer saber da bike, disse que iria passar quatro dias sem pedalar. O que não vale agora é deixar o medo dominar porque bicicleta aqui é um prolongamento do corpo. Na próxima vez, mais atenção, apenas isso. E não dar sopa pro azar...





4 comentários:

Nei kS disse...

Ei menina Mariana, logo os machucados cicatrizam e o dentista vai arrumar o seu dentinho.

Anônimo disse...

Menina, só de olhar essa ponte dá vertigem!Mas se vc diz que é segura, eu acredito. rsrsrsrs
Quantoà Maricota, tudo isso é normal, cair faz parte de todo aprendizado, pior se ela estivesse sem vcs. Màe se culpa mesmo por tudo e mais um pouco (fora os q aparecem pra culpar sempre a mãe em primeiro lugar rsrsrsrs) e apostar corrida é gostoso mesmo, aconteceu como poderia ter sido só uma grande aventura. São essas histórias q ficam na memória, ela com certeza vai se lembrar com carinho desse tombo.

Bjos e []s

Ivette Góis

Simone Westerduin disse...

Ahhhhhhhhhhhh como ta dona Mariana depois do tombo? espero que bem. Logo o medo passa. Veja meu caso, me estabaquei com algo que travou a roda da frente, o joelho ficou irreconhecivel e macha rocha pra tudo quando foi lugar, voei por sobre a bike e to aqui 'o pronta pra outra, quem nao ta pronta 'e a bike, porque pra arrumar o cara cobrou 60 eurecas, sendo que eu paguei 75 pela magrela... vai ficar la por um bom tempo quebrada.

beijao

Kenia Mello disse...

Nei e Simone, os machucados já estão secando e o dente nem incomoda mais, ela já mastiga e escova normalmente, dia 22 vamos fazer o remendo. É isso aí, o negócio é levantar pra cair de novo. Mas que demore um pouquinho pra gente esquecer do susto. ;)
Beijos.

Ivette, eu nem ousei olhar pra baixo, mas o meu lance é com altura mesmo, a ciclovia é super segura na ponte. Aliás, as ciclovias daqui dão gosto.
Próximo fim de semana, se o tempo melhorar, lá vamos nós de novo -- não pra ponte, claro, nela voltamos depois pra enterrar o medo de Mariana de vez.
Beijos.